Os associados do Health Cluster Portugal (HCP) vão investir 58 milhões de euros em dois projectos estruturantes na área da investigação do medicamento e da assistência médica, afirmou à Lusa o director-executivo, Joaquim Cunha.
Os dois projectos-âncora estruturantes fazem parte do plano de acção do pólo de competitividade da saúde, constituído há 20 meses, que conta com 103 associados, entre empresas do sector farmacêutico, associações, instituições de investigação e desenvolvimento, universidades e hospitais.
Segundo Joaquim Cunha, o HCP "está a montar dois grandes projecto-âncora estruturantes": um, na área da investigação de translação, com um investimento de 46 milhões de euros e que envolve 20 a 30 parceiros.
"A investigação de translação é um conceito que visa juntar investigação básica e investigação clínica tendo o doente como foco, no sentido de encurtar o tempo de resposta na procura de soluções para doenças como o cancro", explicou Joaquim Cunha.
O outro projecto-âncora, no valor de 12 milhões de euros, que envolve entre 30 a 40 parceiros, é na área da Assisted Living Facility (ALF) que visa fornecer cuidados de saúde para pessoas com mais de 65 anos sempre que estejam fora dos hospitais ou das clínicas.
O HCP diz que esta é uma das suas apostas estratégicas porque procuram respostas suportadas da inovação.
O pólo de competitividade da saúde, que na sexta-feira passada aprovou o plano de actividades para 2010, mantém o objectivo de lançar cinco medicamentos de raiz portuguesa até 2018, estando a dar os primeiros passos para criar sinergias entre os associados.
De acordo com Joaquim Cunha, a prioridade para o próximo ano "é incrementar de forma muito significativa o trabalho dos nossos associados, criando grupos de trabalho para que se possam conhecer e que desse conhecimento surjam oportunidades de negócio".
Além de cinco novos medicamentos, o HCP quer lançar, até 2018, 50 novos métodos de diagnóstico e mais do triplicar a actual facturação dos seus associados - excluindo hospitais - para 5.000 milhões de euros através da exportação.
"Continuamos a acreditar que são objectivos viáveis", afirmou Joaquim Cunha.
O director-executivo do HCP diz que um dos objectivos do pólo é "pensar global" e criar produtos para a exportação, dada a reduzida dimensão do mercado português.
"Para isso temos que nos ajudar mutuamente e é esse o papel do HCP, ser um facilitador e colocar em contacto os nossos associados que são os verdadeiros actores", afirmou.
Joaquim Cunha diz que em 20 meses já foi conseguido um dos objectivos: "colocar a saúde no mapa, uma vez que se trata de um sector que representa 10% do PIB nacional".
O diagnóstico está feito: Portugal tem bom conhecimento, boas empresas, bons empresários, bons profissionais e bons gestores, mas é necessário pô-los a trabalhar em conjunto para transformar tudo isso em valor, explicou o responsável.
"Temos que avançar com passos seguros porque Portugal não é reconhecido como um grande player nesta área e é necessário criar algumas bases de sustentação e alguns pontos de confiança", concluiu.