Portugal está a aproveitar a "janela de oportunidade" nas emissões de dívida pública, tendo sistematicamente montantes acima dos valores mínimos.
O IGCP, instituto que gere a dívida pública nacional, tem aproveitado o facto de a procura estar habitualmente mais de duas vezes acima da oferta para colocar uma maior volume.
As taxas de juro praticamente estabilizaram, uma situação que também está a ser aproveitada pelo IGCP. Depois de esta semana Portugal ter colocado mais de mil milhões de euros a seis e a 12 meses, prepara-se para, na próxima quarta-feira, colocar entre 750 milhões e 1.250 milhões de euros. A particularidade desta emissão é ter um prazo médio, a três anos, e outro longo, a 11 anos, o que é um desafio para o IGCP.
Os analistas afirmam que os investidores estão a assumir o aumento do risco relativamente a Portugal, mas a rentabilidade é considerada muito atractiva, o que justifica os elevados montantes da procura. O recente "downgrade" do rating da Irlanda não afectou este mercado, enquanto a decisão do BCE é continuar a alimentar o mercado a uma taxa de juro de 1%, a par de prolongar os apoios aos bancos, é um nítido sinal de sustentabilidade do mercado da dívida. Espanha aproveitou a "onda" favorável para a dívida pública e fez ontem uma emissão de médio prazo (cinco anos) a uma taxa ligeiramente inferior à emissão anterior. Também neste caso a procura excedeu largamente a oferta. Tal como Portugal, também Espanha tem conseguido refinanciar dívida que se aproxima da maturidade a custos idênticos ou ligeiramente mais baixos.
Os investidores vão continuar muito atentos às medidas orçamentais para o controlo do défice, já que este indicador que influencia o custo do "funding" do país e das instituições financeiras.
As recentes emissões em Portugal revelam estabilidade nos yields, enquanto em Espanha é nítida uma queda dos mesmos yields.
A chanceler alemã, Angela Merkel, deu hoje a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, sublinhando que naquela região autónoma
O presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) afirmou, em Washington, não estar certo de que a Zona Euro esteja já em recessão como muitos pensam.
É pouco provável que Portugal consiga voltar aos mercados em 2013, afirmam os analistas do BBVA na primeira edição do "Observatório Económico para Portugal",