O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, defende a saída da Zona Euro dos países que não consigam consolidar as finanças públicas ou reestruturar a economia, num artigo publicado no Financial Times.
"Se um país membro da Zona Euro, no limite, não conseguir consolidar o seu orçamento ou restaurar a sua competitividade, este país deve, como solução de último recurso, sair da Zona Euro, embora mantendo-se como membro da União Europeia", escreve o ministro das Finanças num artigo em que a situação das finanças públicas gregas é analisado.
"Encarar uma realidade desagradável pode ser a melhor opção em determinadas circunstâncias", afirma o responsável pelas finanças alemães, sugerindo também que "um país cujas finanças estão em convulsão não deve participar em decisões relativas às finanças de outro membro", e que não cumprir os limites definidos por Bruxelas deve levar à "suspensão dos direitos de voto no Eurogrupo".
Noutro artigo publicado na edição alemã do Financial Times, Schäuble afirmou também que a criação de fundo monetário europeu servirá para emprestar "em último recurso" a liquidez de emergência aos países da Zona Euro em dificuldades financeiras, mas com sanções reforçadas.
"Uma ajuda (eventual de um fundo monetário europeu) deve ser o último recurso" e "ser limitada às urgências inevitáveis, que representam um perigo para a estabilidade monetária do conjunto da Zona Euro", explicou Wolfgang Schäuble ao jornal Financial Times Deutschland.
Wolfgang Schäuble foi um dos primeiros responsáveis europeus a lançar a ideia da criação de um fundo monetário europeu, tendo destacado que este fundo "poderia assegurar aos países membros a liquidez de emergência para evitarem o risco de incumprimento dos pagamento".
O ministro referiu também que o fundo serviria, em simultâneo, para impedir preços proibitivos praticados pelos mercados.
Por outro lado Schäuble propõe "sanções reforçadas" sob a forma de multas infligidas após o final do programa de ajuda e a suspensão "por pelo menos um ano" do direito de voto dos Estados que pertençam ao Fundo.
"O acesso à liquidez de emergência não deve, contudo, em caso algum ser tido como um adiantamento. Basicamente, a possibilidade de um Estado poder falir deve continuar a ser possível", acrescentou.
De acordo com Schäuble "a decisão política sobre a possibilidade de se efectivar uma ajuda deveria ser tomada pelo Eurogrupo de acordo com o Banco Central Europeu (BCE)".
A ideia de se criar um fundo monetário internacional, um mecanismo de entreajuda para os países da Zona Euro confrontados com dificuldades financeiras, fez o seu caminho devido à crise na Grécia.