O ministro das Obras Públicas admitiu hoje que o plano de investimentos do seu Ministério vai sofrer "uma contenção" em 2010, mas lamentou a existência de atrasos na construção de projectos importantes como o aeroporto de Lisboa.
"Já estamos bastante atrasados. Acho que era algo que já devia ter começado há mais tempo e portanto é algo que temos de acelerar e temos de criar todas as condições para que a breve passo possamos ter um aeroporto que permita posicionar o país nas novas dinâmicas económicas internacionais", sublinhou o ministro António Mendonça, no final de uma visita de trabalho ao Porto de Aveiro.
António Mendonça, que reconheceu que o plano de investimentos do seu Ministério para 2010 vai ser marcado por "uma contenção na casa dos 10, 12%", avisou que considera que o novo aeroporto é "um projecto prioritário, um projecto central" e acrescentou que "está mais do que demonstrado que o actual aeroporto está a trabalhar pelas costuras".
"Corremos sérios riscos de perder oportunidades com o aeroporto de Lisboa tal como está. Se pensamos no futuro temos que rapidamente concretizar essa infra-estrutura, que é profundamente vital para o país", defendeu o governante.
O Governo ainda não decidiu a data de lançamento do concurso para a construção do novo aeroporto, com um investimento previsto de 4,9 mil milhões de euros e actualmente em fase de estudo de impacto ambiental.
António Mendonça rejeitou ainda a ideia de que os atrasos no processo do novo aeroporto projectado para Alcochete estejam a condicionar a privatização da ANA, empresa gestora dos aeroportos nacionais.
"O assunto [privatização da ANA] continua em estudo. A seu tempo será esclarecido tudo o que houver a dizer sobre essa matéria mas eu não queria avançar muito mais do que aquilo que já é conhecido", disse António Mendonça.
Ao concurso para o novo aeroporto, que será construído na zona do Campo de Tiro de Alcochete, o anterior Governo associou a privatização da ANA, mas, para que esta operação avance, será necessário definir o perímetro de privatização e a percentagem de capital da gestora dos aeroportos nacionais que será entregue a privados, o que ainda não aconteceu.
O ministro voltou também a defender a aposta nos investimentos públicos como forma de dinamizar a economia e ultrapassar a crise.
"É preciso criar condições estruturais para que a dívida e o défice possam ser ultrapassados. Os investimentos em obras públicas que tenham esse efeito dinamizador da economia estão a criar a prazo as condições para superar o que gerou a dívida e o défice", concluiu.