Portugal está a trabalhar com as autoridades de Hong Kong para estabelecer um acordo sobre dupla tributação que deverá estar concluído em breve, disse hoje à agência Lusa o ministro das Finanças português.
Teixeira dos Santos concluiu hoje na antiga colónia britânica um périplo que o levou a Singapura, Macau e Hong Kong, onde manteve contactos políticos e com o sector empresarial e financeiro no sentido de divulgar a realidade portuguesa.
"Espero que possamos avançar rapidamente com a finalização desse acordo depois do contacto que tive hoje com o secretário das Finanças", disse o ministro português, depois de um encontro com o secretário das Finanças de Hong Kong, Henry Tang.
Hong Kong é um dos principais portos de trânsito de mercadorias da região asiática, praça financeira e a base de escritórios regionais de grande empresas que a partir da antiga colónia britânica efectuam a gestão dos seus negócios a nível global.
"Nos últimos tempos" tem vindo a registar-se uma "presença mais significativa de investidores asiáticos nas nossas operações de emissão de dívida do que tínhamos no passado", sublinhou o ministro, para explicar a importância de apresentar directamente a realidade nacional aos investidores e potenciais interessados.
Teixeira dos Santos considerou ainda a região asiática uma área "com um grande dinamismo económico e financeiro" e explicou que Portugal tem "consciência do papel crescente que a China tem vindo a assumir na economia mundial com um impacto nesta região em particular e em territórios que são chineses apesar do seu estatuto especial", como Macau e Hong Kong.
"Este dinamismo não pode ser ignorado por uma economia como a portuguesa, que também está a fazer um esforço de internacionalização e de diversificação das suas relações e de aprofundamento das relações históricas", disse o ministro, ao salientar a presença portuguesa em Macau e o papel de "plataforma potencial para o desenvolvimento de parcerias, sinergias e de negócios em geral nesta região" que o território pode representar.
"Temos empresas portuguesas que estão interessadas em desenvolver negócios aqui, não só grandes empresas, mas também empresas de menor dimensão, mas que têm apostado na sua internacionalização. Tenho manifestado às autoridades, o interesse em apoiar os esforços dessas empresas na sua internacionalização e, sob o ponto de vista institucional, criarmos o quadro que seja o mais propício ao desenvolvimento dessas actividades", afirmou.
Além das questões económicas, onde salientou a diversificação dos mercados de destino dos produtos "made in Portugal", Teixeira dos Santos lembrou que a região asiática, em particular a China e Singapura, registam um crescimento "muito significativo" em importações de Portugal e considerou que o "progresso que tem ocorrido na frente do comércio externo também possa ser visível no domínio financeiro".