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Probabilidade de Portugal atingir objetivos da Troika é muito elevada, diz presidente da APB
Economia
20/02/12, 09:13
OJE/Lusa

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), António de Sousa, acredita que Portugal vai atingir as metas propostas no acordo com a Troika, já que o Governo está a cumprir o "fundamental", ainda que o País dependa de fatores que não controla.
 
Com "tudo o resto constante, as probabilidades de conseguirmos atingir os objetivos são muito elevadas", disse em entrevista à agência Lusa António de Sousa, destacando, no entanto, que há fatores externos que o País não controla e que podem vir a ser determinantes no evoluir da situação, como o caso da Grécia.
 
Paralelamente, justificou o presidente da APB, "há uma incógnita que tem a ver com economia mundial e europeia, que pode criar problemas adicionais ao país, sobretudo às exportações", justificou.
 
Já na frente interna, segundo o responsável, "o trabalho está a ser feito no fundamental" pelo Governo, tanto ao nível de controlo das despesas públicas como de reformas estruturais. "Tudo o que falámos durante anos está a acontecer", considerou, referindo-se a mudanças na legislação laboral, do arrendamento ou poupanças na saúde e educação.
 
Com um discurso positivista sobre o ajustamento financeiro e económico que Portugal está a levar a cabo, António de Sousa recusa equacionar, pelo menos por agora, a necessidade de um segundo empréstimo ao País, caso o Estado não consiga voltar a financiar-se nos mercados no final de 2013.
 
"Pode ser muito interessante do ponto de vista mediático, mas estar sempre discutir quanto vai faltar daqui a ano e meio é tempo perdido, sobretudo se nos desviar do que é preciso fazer no dia-a-dia", afirmou, acrescentando que mesmo que Portugal não consiga voltar a financiar-se a longo prazo e a taxas de juro baixas como fazia antes da crise da dívida soberana, pode ir fazendo sucessivas emissões de curto prazo e assim colmatar as necessidades de financiamento do Estado.
 
"As emissões a curto prazo feitas este ano (e já foram [emitidos] 9 mil milhões de euros) foram bem-sucedidas, a taxas mais razoáveis, o que significa que em 2013 podemos não voltar ao mercado como há três anos, mas podemos ir aumentando estes prazos, subindo um pouco o rollover da dívida".
 
Além das emissões feitas pelo Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), o responsável destacou ainda como pontos positivos do ajustamento que o País está a levar a cabo o equilíbrio da balança comercial que, considera, Portugal vai conseguir alcançar "este ano e em 2013" e que "era algo impensável há pouco tempo", assim como o "quase equilíbrio da balança de pagamentos global". "Tudo indica que vamos equilibrar essa situação", algo que António de Sousa considera fundamental até porque enquanto não fosse feito colocaria o País a dever mais todos os anos.
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