O Banco Central Europeu defende que os próximos orçamentos devem reflectir o "forte empenho" na correcção dos desequilíbrios e que "todos os países" devem especificar medidas "centradas no lado da despesa" e estarem preparados para aplicar novas.
"Todos os países têm de especificar medidas de ajustamento orçamental credíveis, centradas no lado da despesa, devendo também estar preparados para, se necessário, aplicar medidas adicionais ao longo dos próximos anos", diz o BCE no seu boletim mensal.
O banco central deixa novo aviso de que "poderão ser necessários objectivos mais ambiciosos, tais como os já assumidos por vários países da área do euro, nos casos em que os planos actuais não sejam suficientes" e que "é crucial que os planos orçamentais para 2011 e para os anos seguintes reflictam um forte empenho em regressar a uma situação de finanças públicas sólidas".
Para o BCE o cumprimento dos objectivos orçamentais contidos nos respectivos procedimentos dos défices excessivos é o "mínimo" e devem procurar ganhar margem de manobra em termos orçamentais, através dessa correcção.
Por outro lado o banco central sublinha também que é "indispensável" a aplicação de reformas estruturais, tendo em vista o apoio dos processos de consolidação, o reforço do bom funcionamento da área do euro e o fortalecimento de perspectivas de crescimento sustentável mais elevado. "São indispensáveis reformas estruturais abrangentes. São sobretudo necessárias reformas profundas nos países que, anteriormente, sofreram perdas de competitividade ou que registam défices orçamentais e externos elevados. As medidas devem assegurar um processo de negociação salarial que permita um ajustamento flexível dos salários à situação do desemprego e às perdas de competitividade", diz o BCE.
O boletim mensal destaca ainda conclusões já apontadas na conferência de imprensa que se seguiu à última reunião do conselho de governadores do BCE, no passado dia 5, como a expectativa de uma evolução moderada dos preços no médio prazo, o fortalecimento da actividade económica no segundo trimestre de 2010 e que os dados disponíveis para o terceiro trimestre são "melhores que o esperado".
O BCE mantém no entanto a sua perspectiva de um crescimento a ritmo moderado ("por algum tempo ainda"), e desigual, da Zona Euro, ainda num contexto de incerteza.
A recuperação da actividade económica na área do euro será "atenuada" pelas "correcções de balanços em vários sectores e pelas perspectivas para o mercado de trabalho", considera do BCE, sublinhando que se mantêm "as preocupações associadas a uma renovação das tensões nos mercados financeiros, novos aumentos dos preços do petróleo e de outras matérias-primas, bem como pressões proteccionistas e a possibilidade de uma correcção desordenada dos desequilíbrios mundiais.