O total de automóveis entregues para abate na Valorcar, a maior rede de centros de abate de veículos em final de vida (VFV) em Portugal, caiu 35,2% em 2011, para 50 782 unidades.
Em declarações à agência Lusa, o diretor-geral da Valorcar atribuu esta quebra à extinção do Programa de Incentivo Fiscal ao Abate de VFV, que representava mais de 30% das unidades entregues, e ao recuo nas vendas de veículos novos, já que os consumidores conservam por mais tempo o mesmo automóvel.
Segundo a Valorcar - que hoje divulga os dados relativos a 2011 -, esta tendência de decréscimo já se verifica desde 2008, sendo atualmente a idade média dos VFV entregues de 18,1 anos.
Independentemente desta quebra, para a rede Valorcar, o ano 2011 fica marcado pela ultrapassagem da meta comunitária de reciclagem de VFV: em média, cada VFV recebido foi reciclado em 84,6% do seu peso e valorizado em 89,7%, "ultrapassando largamente a meta comunitária" de reciclagem e valorização em pelo menos 80 a 85% do seu peso, respetivamente, destaca.
Segundo a Valorcar, os VFV recebidos foram despoluídos, desmantelados e fragmentados, tendo os seus diversos componentes e materiais totalizado 47 mil toneladas.
Os metais foram o material mais reutilizado, reciclado ou valorizado (35 000 toneladas), seguidos das peças usadas (1990 toneladas), pneus (1680 toneladas), vidros (880 toneladas), baterias (692 toneladas), plásticos (265 toneladas) e óleos (241 toneladas).
Depois de, em 2009, dados do Eurostat colocarem Portugal no 9.º lugar em reutilização/valorização de VFV entre os 27 Estados-membros da União Europeia, a Valorcar destaca que "os resultados agora alcançados deixam boas perspetivas que o país continue a subir nesta tabela".
A Valorcar é uma entidade privada, sem fins lucrativos, cuja rede engloba atualmente 75 centros licenciados pelo Ministério do Ambiente, localizados em todos os distritos do continente e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira.
Totalmente gratuita, a entrega de um VFV nestes centros garante um tratamento ambientalmente adequado para o veículo e assegura que os respetivos registo de propriedade e matrícula serão cancelados, sendo a única forma de deixar de pagar o Imposto Único de Circulação (segundo a Valorcar, se o veículo for abandonado ou entregue a centros não licenciados, o titular do registo continuará a pagar este imposto).