Um estudo realizado nos EUA permitiu concluir que, no período de um mês, mais de 75 mil sítios digitais reproduziram ilegalmente artigos da imprensa e que essa publicação não autorizada beneficiou sobretudo os grupos Yahoo! e Google.
Entre 15 de Outubro e 15 de Novembro, 75.195 sítios na Internet reproduziram, sem autorização, pelo menos um artigo de jornal, parcial ou integralmente, tendo sido detectadas 112 mil reproduções "praticamente exactas", segundo a investigação levada a cabo pelo "Fair Syndication Consortium", organização que reúne 1.500 meios de comunicação social filiados na Attributor, uma entidade que mede a utilização dos seus conteúdos.
Em média, cada artigo é reproduzido 4,4 vezes mas, no caso de artigos dos grandes jornais nacionais, o número de republicações não autorizadas pode atingir as 15.
O estudo foi tornado público no âmbito de um seminário sobre a sobrevivência do jornalismo na era da Internet, organizado em Washington.
A análise assinala que, ao contrário do que se podia supor, os blogs representam apenas 10% dos espaços digitais que utilizam, de forma ilegítima, as informações produzidas pelos jornalistas.
A investigação conclui ainda que quem retira mais proveito da reprodução ilegal de material dos jornais são as empresas publicitárias do Google (53%) e do Yahoo! (19%).
Perante as conclusões, Randy Bennett, da Associação Americana de Jornais, insistiu na necessidade de encontrar um meio para remunerar os jornalistas e meios de comunicação social cujas informações são colocadas em sítios electrónicos alheios.
O debate entre os meios de comunicação social tradicionais e os sítios na Internet está bastante aceso actualmente nos EUA, com Rupert Murdoch, proprietário da News Corporation, a acusar por diversas vezes o Google de "roubar" as informações produzidas pelos seus jornais e televisões.
Por seu lado, o Google anunciou terça e quarta-feira novos instrumentos para permitir aos meios de comunicação social gerir melhor a utilização das suas informações, de modo a poderem decidir se os seus artigos (textos e imagens) são referenciados no motor generalista Google ou no canal mais específico Google News.
Segundo Josh Cohen, que também falava no âmbito do debate sobre a sobrevivência do jornalismo na era da Net, "o Google News é uma fonte formidável para os leitores e dá aos meios de comunicação social cerca de mil milhões de acessos mensais, o que pode ser usado para negociar publicidade e vender assinaturas, mas se os editores preferem que os conteúdos produzidos pelos seus órgãos fiquem fora do motor de busca, assim será".