A intervenção do Banco Central Europeu na compra direta de dívida no mercado está dependente de um pedido de ajuda prévio do referido país ao FEEF.
Mario Draghi esclarecer que as compras de obrigações podem ocorrer quando "os governos cumprirem as condições necessárias", esclarecendo que cada país é soberano no pedido de assistência ao Fundo Euro de Estabilidade Financeira. Draghi acabou por desiludir os mercados, com a Bolsa de Madrid a cair, logo após a conferência, 5,28%, para os 6364,8 pontos, quando durante a manhã o Ibex abriu moderadamente positivo a ganhar 0,4%. A meio da tarde as perdas do índice estavam nos 3%. Muito grave foi o aumento do prémio de risco nas obrigações a 10 anos, que atingiu um máximo de sempre para Espanha nos 581 pontos, um nível muito preocupante e que antecipa um pedido de resgate total. No mercado secundário a dívida espanhola de longo prazo está com yields acima dos 7%. Ainda hoje de manhã o Tesouro espanhol colocou cerca de 3100 milhões de euros em diversas maturidades, com o prémio de risco a cair para os 530 pontos. A situação estava ancorada na expetativa criada pelo presidente do BCE de que tudo faria para salvaguardar o euro e controlar a espiral de taxas de juro da dívida espanhola e italiana, Analistas citados pelo El Pais afirmam que o Tesouro espanhol está a financiar-se a níveis insustentáveis. Entretanto o diferencial de taxas de juro na dívida italiana não pára de subir e está nos 443 pontos de base, depois de já ter batido os 456 pontos. Todas as bolsas europeias entraram em queda acentuada após as declarações de Draghi. Milão está a cair 2,7% e Paris e Frankfurt estão com quedas próximas dos 2%.
Ainda na conferência, Draghi não descartou a possibilidade de avançar com medidas não convencionais de controlo da política monetária, não tendo detalhado os instrumentos e modelos. Adiantou que as soluções serão conhecidas nas "próximas semanas". Desde já ficou afastada a hipótese de compra de dívida pelo BCE, tal com havia exigido o Bundesbank, que vê neste modelo uma forma de colocar o BCE como último financiador do sistema.