O Chile, com cerca de 16,6 milhões de habitantes, prepara-se para virar à direita, depois de 20 anos de governo de centro-esquerda desde o fim da ditadura, nas eleições gerais de domingo.
O político de direita e empresário milionário Sebastian Pinera é o favorito para suceder à presidente socialista, Michelle Bachelet. No Chile, o voto é obrigatório.
Segundo as sondagens, Sebastian Pinera deverá vencer na primeira volta com uma vantagem de 10 pontos percentuais face ao principal rival, o democrata cristão Eduardo Frei, de 67 anos, que nunca conseguiu aproveitar o facto de ser herdeiro de Bachelet.
As sondagens também indicam que na segunda volta, marcada para 17 de Janeiro, Pinera vencerá com 49% dos votos, contra 32% dos votos para Eduardo Frei.
Derrotado na segunda volta em 2005 por Bachelet, Pinera prometeu durante a campanha não tocar nas regalias sociais adoptadas pelos governos recentes, nem pôr em causa a prudente linha macroeconómica, que valeu ao Chile, em plena crise, elogios de várias instituições internacionais.
Sebastian Pinera - considerado um enérgico sexagenário e um dos homens mais ricos do Chile - conseguiu transmitir a ideia de uma direita que já não mete medo. A revista Forbes avaliou a riqueza de Sebastian Pinera em 1,2 mil milhões de dólares.
Em contrapartida, o democrata-cristão Eduardo Frei, de 67 anos, candidato da Concertação, a coligação de quatro partidos do centro e do centro-esquerda, no poder desde 1990, nunca conseguiu personificar o futuro, já que foi presidente do Chile entre 1994 e 2000, nem aproveitar ser herdeiro de Bachelet.
Modelo económico da década na América Latina, o Chile atravessou os últimos 12 meses com crescimento negativo, temperados por uma política social agressiva, que valeu a Bachelet uma popularidade histórica, entre 75 e 80%.
A presidente querida dos chilenos não se pode candidatar a um segundo mandato consecutivo, de acordo com a Constituição.
O Chile deve terminar este ano com uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) negativa de dois por cento, mas com uma taxa de crescimento estimada positiva para 2010, entre quatro e cinco por cento, devido à subida do produto vedeta chileno, o cobre.
O cobre representa 45% das exportações do Chile, que é o maior produtor mundial daquele metal.
Mas num país onde a taxa de desemprego atingiu 9,7% em 2009, Pinera, que já foi apelidado de "Berlusconi chileno", prometeu revitalizar o espírito de empreendimento, que defende, foi abafado pelos anteriores quatro governos de centro-esquerda.
O empresário multifacetado, com interesses em áreas tão diversas como a aviação, «media», imobiliário ou saúde, prometeu criar "um milhão de novos empregos" e considera uma prioridade a luta contra a insegurança.
No entanto, um outsider, o independente Marco Enriquez-Ominami, ex-deputado socialista de 36 anos, filho de um militante de extrema-esquerda abatido durante a ditadura, baralhou a cena política, ao apresentar-se como candidato de uma geração pós-ditadura.
Nas sondagens, Enriquez chegou a ter 18% das intenções de voto e o número incerto de votos que venha a obter pode tornar-se decisivo na segunda volta.
A eleição de Pinera, caso se concretize, marcará o regresso da direita ao poder no Chile desde do presidente Jorge Alessandri (1958-1964).
Depois de Alessandri, o Chile foi chefiado por um centrista, o pai de Eduardo Frei, e pelo socialista Salvador Allende, antes da ditadura de Augusto Pinochet entre 1973 e 1990.