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Energéticas alemãs exigem abolição dos limites de funcionamento das centrais nucleares
Internacional
29/07/10, 11:21
OJE/Lusa

A indústria nuclear alemã exigiu hoje prazos ilimitados para o funcionamento das centrais nucleares, "enquanto forem seguras", antecipando-se à proposta a apresentar após o Verão pelo Governo para prorrogar os referidos prazos.

 

A lei em vigor, aprovada em 2001, por iniciativa do Governo de coligação entre sociais-democratas e Verdes, liderado pelo chanceler Gerhard Schroeder, estipula um prazo máximo de laboração efectiva de 32 anos para cada uma das centrais.

 
A medida, negociada na altura com as energéticas, destinou-se a promover o encerramento gradual das centrais alemãs, até 2020, substituindo a energia que estas produzem por fontes de energias renováveis, e indo ao encontro das preocupações de boa parte da população quanto aos riscos da energia atómica.

 
As forças políticas do actual Governo, democratas-cristãos e liberais, anunciaram já durante a campanha eleitoral para as últimas legislativas, em Setembro, que tencionavam alterar a referida lei, e impor prazos mais alargados.

 
"Deixem as centrais a funcionar enquanto forem seguras", disse o presidente do Fórum Nuclear Alemão, Ralf Gueldner, em declarações ao matutino Sueddeutsche Zeitung, marcando assim a posição da indústria do sector.

 
A exigência do lobby nuclear, dominado pelas energéticas E:ON, RWE, Vattenfall e EnBW, vai além de todas as modalidades que estão a ser debatidas a nível político, e deverão culminar numa proposta de prorrogação dos prazos de funcionamento das centrais atómicas a apresentar em Setembro pelo Executivo de Angela Merkel.

 
O presidente do Fórum Nuclear justificou a proposta afirmando que as centrais nucleares alemãs "têm altos níveis internacionais de segurança, e por isso nada impede que continuem a funcionar, como acontece noutros países".

 
Das 17 centrais alemãs em actividade, quatro atingem no próximo ano o prazo limite de funcionamento, e terão de ser encerradas, a menos que a maioria de centro direita altere a respectiva lei no parlamento.

 
O Governo pretende apresentar um projecto-lei que não tenha de ser também submetido à segunda câmara legislativa, o Bundesrat, onde democratas-cristãos e liberais perderam a maioria absoluta, na sequência das eleições regionais na Renânia, em Maio.

 
A oposição contestou esta opção e já ameaçou recorrer ao Tribunal Constitucional, se o executivo tentar ultrapassar a câmara formada por representantes dos 16 Estados federados.

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