O Presidente francês levará ao Conselho Europeu de segunda-feira o seu controverso "IVA social", que transfere custos das empresas com o trabalho para a tributação de produtos importados, integrado num programa franco-alemão de crescimento e emprego.
Segundo avançou na quarta-feira a agência France Presse, do texto franco-alemão para o crescimento, o emprego, a governabilidade e a estabilidade, consta a proposta de transferência dos custos do trabalho para outros impostos, que é exatamente o que prevê o chamado "IVA social", sugerido pelo Presidente francês Nicolas Sarkozy na sua mensagem de ano novo.
A ideia deste imposto, que pretende criar emprego e aumentar o consumo de bens nacionais, é reduzir o peso das contribuições sociais pagas pelas empresas através da transferência de parte desse encargo para o IVA dos bens importados.
Os representantes dos 27 vão ainda discutir as restantes propostas da dupla Angela Merkel-Nicolas Sarkozy (já conhecida como "Merkozy"), que assentam em seis eixos essenciais: a luta contra o desemprego (o dos jovens em particular), o desenvolvimento de ferramentas para o financiamento das empresas, uma melhor utilização dos fundos europeus, um reforço da regulamentação dos mercados financeiros, a modernização das administrações públicas e um acesso facilitado aos mercados de países fora da União.
Na cimeira de líderes europeus de 30 de janeiro os 27 devem chegar a um acordo final sobre o tratado intergovernamental que obriga os Estados à chamada "regra de ouro" orçamental, limitando os seus défices estruturais a 0,5% do PIB.
O Tratado deverá ser assinado por todos os Estados-membros até março, à exeção do Reino Unido, que já se pôs à margem desta discussão, e depois ratificado. Em França isso vai acontecer num parlamento renovado pelas eleições de junho.
Também o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), sobretudo a sua capacidade de intervenção, vai estar em cima da mesa, com França a defender um alargamento da capacidade do fundo.
A somar a isto, na cimeira em Bruxelas estará um Nicolas Sarkozy que, embora não tenha ainda anunciado oficialmente a sua recandidatura ao Eliseu, surge em segundo lugar nas intenções de voto dos franceses, distante do socialista François Hollande e próximo da extrema-direita de Marine Le Pen.