O "efeito Draghi" desvaneceu-se na emissão de dívida espanhola desta manhã. O Tesouro espanhol tentou aproveitar a melhoria registada nos mercados pelo "efeito Draghi", com o objetivo de reduzir o custo de financiamento.
A operação realizou-se ainda antes das conclusões da reunião do BCE, mas o Instituto emissor de dívida pública conseguiu superar os três mil milhões de euros de emissões, ao colocar 3.139 milhões de euros, mas teve de se comprometer com rendibilidades mais elevadas, avança o El Pais. O Tesouro colocou uma parcela de 1046 milhões de euros, com vencimento em 2022 e um juro máximo de 6,706%, acima dos 6,505% da colocação anterior. O rácio de cobertura foi de 3,2 a 2,4 vezes a oferta. Na emissão de obrigações com maturidade em 2016, o cupão saiu a 4,25%, com 1024 milhões de euros gerados, tendo as ofertas de taxas ficado entre os 5,536% e os 5,791%. O rácio de cobertura foi de 2,7 vezes a oferta. O Tesouro ainda contratou um financiamento de 1062 milhões de euros com maturidade em 2014 e com um cupão de 4,75%. A taxa de juro média situou-se nos 4,774%, contra 5,302% da emissão anterior. O Tesouro espanhola esperava aproveitar a descida de risco associado a estas emissões, o que aconteceu desde o início da semana depois de declarações de Mario Draghi, o presidente do BCE, que assegurou que o BCE tudo faria para salvaguardar o euro. Draghi disse que a atuação do BCE seria suficiente para atingir esse objetivo e os mercados acreditaram, colocando o prémio de risco - diferencial em face das obrigações alemãs - abaixo dos 600 pontos de base. Recorde-se que o risco de intervenção externa com ajuda financeira começa a sentir-se acima dos 500 pontos de base.
Entretanto, os mercados estão expectantes quanto à possibilidade de que Draghi passe das "palavras aos actos", concluem analistas citados pelo El Pais.