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Bolsas à prova da Gripe
Mercados
03/05/09, 22:41
Por Nuno Serafim, analista da IG Markets - Portugal

O mês de Abril marcou uma inversão espectacular no comportamento dos mercados financeiros e das bolsas mundiais. Em menos de um mês os mercados recuperaram praticamente das perdas registadas no primeiro trimestre do ano. O mês de Abril será mesmo um dos melhores meses para o mercado accionista desde 1991. O S&P500 regista uma subida de 11% e o Eurostoxx600 recuperou totalmente das suas perdas em 2009 com uma subida de 14%, a melhor performance desde que há registro. Na quinta-feira, na Europa, o Dax e o Cac perdiam apenas marginalmente e, surpreendentemente, o PSI 20 subia mais de 6,5%. Nos EUA, o S&P500 perdia menos de 2% enquanto que o Nasdaq já avançava mais de 10% em 2009. No Brasil, o Bovespa ganhava mais de 27%. 

Começa a existir um sentimento de que a economia, nos EUA, poderá recuperar mais depressa do que o previsto. O Consumer Spending nos EUA deverá ter crescido mais de 2% nos primeiros três meses do ano depois de ter recuado 4,1% na segunda metade de 2008, mostrando sinais de alguma estabilização.

 

O Consumer Confidence, divulgado na terça-feira, registou a maior subida mensal em quatro anos batendo facilmente as estimativas dos analistas. Ora sabendo que 2/3 da economia norte-americana está dependente dos gastos dos consumidores é de alguma forma compreensível que os mercados se tenham regozijado com estes dados e praticamente ignorado a Gripe Suína.

 

Mesmo a primeira estimativa do crescimento do GDP norte-americano para o primeiro trimestre, que deverá ter contraído -6,1% Vs estimativas de -4,9% e face -6,3% no final de 2008 (pelo 3º trimestre consecutivo pela 1ª vez desde 1974/75), não assustou os investidores.

 

Lendo de forma mais atenta os números do GDP podemos perceber que a componente que mais contribuiu para esta quebra terá sido a abrupta correcção registada nos Stocks (inventários), o que por si só contribuiu com -2,7% para o resultado final.

 

Por pouco racional que possa parecer o declínio dos inventários é uma boa notícia para a economia. Este número demonstra que a generalidade das empresas está a ajustar os seus Stocks a um ritmo superior ao da quebra da própria procura, mostrando a sua eficiência e ao mesmo tempo que o ciclo de correcção de Stocks poderá ter terminado.

 

Se esta tendência se confirmar poderemos assistir à reanimação da Produção Industrial nos próximos dois trimestres. Isto, claro, se os sinais dados pelo consumo forem no sentido da estabilização. É uma boa notícia em especial para a Alemanha, o maior exportador do mundo Ocidental, dada a sua intensa preponderância industrial, e em linha com as melhorias registadas pelo ZEW que na sua vertente expectations apresentou um valor positivo pela primeira vez desde o Verão de 2007.

 

Alguns economistas aproveitaram mesmo para rever em alta as suas previsões para do GDP nos EUA para o 2º e 3º trimestre. É possível que o 2º trimestre mostre apenas um valor ligeiramente negativo e que no 3º trimestre (3 meses antes do previsto) se inicie uma recuperação mais sustentada, até porque os 787 M de dólares de investimento e estímulo fiscal do Plano Obama começarão finalmente a fazer-se sentir.

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03/02/12, 18:17

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