Desvalorização fiscal precisa-se Mercados 03/02/12, 00:00Por Nuno Serafim* Após oito meses decorridos desde o pedido de assistência financeira internacional, Portugal tem tentado seguir quase à risca a receita Troikiana. No entanto, os credores estão cada vez mais cépticos, e Portugal é já 2.º país do mundo com o risco de crédito mais elevado, logo atrás, claro, da Grécia. Mas se dizem que estamos a cumprir porque continuamos a ser (in)justamente penalizados? Claramente, a resposta a esta pergunta não se esgota apenas em um ou dois argumentos, mas antes numa série de constatações mais ou menos encadeadas. É verdade que existem problemas sistémicos que advêm do impasse grego e da incapacidade da União Europeia, no seu conjunto, de conseguir responder com instrumentos e recursos à altura das reais dimensões do problema. No entanto, o que mais penaliza Portugal é, neste momento, a forte probabilidade de os níveis de endividamento a que chegámos serem insustentáveis sem crescimento. À medida que o tempo passa, torna-se mais ou menos evidente que os 78 mil milhões que vamos receber em contrapartida do plano de ajustamento serão insuficientes, e que o País não terá condições para voltar ao mercado de dívida já em 2013. A austeridade é necessária mas não é suficiente para invertermos a nossa situação. É verdade que há sempre gorduras para cortar e formas mais eficientes para cobrar impostos, mas, ao contrário da Grécia, não são estes os nossos maiores pecados. O País tem de se tornar mais competitivo e crescer, crescer muito. E, para se tornar mais competitivo, tem de se implementar reformas estruturais que, obviamente, estão sempre atrasadas, mas que, na melhor das hipóteses, apenas vão encurtar o gap competitivo que existe entre Portugal e os países mais ricos. A alternativa a este fatídico destino, e porque temos pouco ou nada a perder, é criar incentivos aos agentes económicos para que estes contribuam também para a redução dos nossos desequilíbrios. Esses incentivos vão ter de passar necessária e urgentemente por uma desvalorização fiscal, através de um corte relevante na Taxa Social Única. Esta medida de choque implicaria a redução dos custos unitários do trabalho (CUT) e teria de ser compensada com um aumento do IVA. Porém, as vantagens podem em muito superar o efeito negativo que o aumento do IVA teria na procura agregada. Senão vejamos, considerando a importante premissa de que os CUT seriam passados aos preços finais, teríamos preços mais competitivos nos produtos e serviços produzidos localmente, quer os que têm como destino o mercado doméstico quer os destinados à exportação. Como os preços dos produtos importados se manteriam inalterados, as exportações tornar-se-iam relativamente mais competitivas que as importações, o que teria um efeito positivo na nossa posição face ao exterior. A redução dos CUT teria ainda um efeito positivo no investimento e na redução do desemprego. O aumento do IVA afetaria as importações, mas não as exportações, o que ainda amplificaria mais os efeitos do corte da TSU. Claro que o aumento do IVA teria um efeito negativo na procura agregada, pois afetaria, no mercado interno, quer as exportações quer as importações. Porém, as alternativas estreitam-se, e esta é cada vez mais vista como uma boa estratégia para simular uma desvalorização cambial, algo que, dentro da Zona Euro, nos é impossibilitado. Os custos do trabalho são claramente uma das razões da nossa falta de competitividade e, mesmo que em média com o resto da Europa, em que outras coisas estamos nós na média europeia? A resposta é clara: apenas nos impostos. A redução da pressão fiscal sobre o trabalho é uma medida elementar para criar emprego e urgente, porque se não a implementarmos, outros se anteciparão, neutralizando assim o efeito da medida. Capacidade de antecipação e arrojo são agora tão ou mais necessários do que simples ortodoxia orçamental. *Director-geral da IG Markets Portugal ![]() ![]() ![]() 23/05/12, 18:51 PSI20 fecha a perder 2,78% com forte queda da EDPO PSI20 fechou hoje a cair 2,78% para 4 587,34 pontos, em mínimos de agosto de 1996, pressionado pela EDP, numa sessão em que o desempenho negativo das23/05/12, 15:03 Wall Street penalizado com receios de uma eventual saída da Grécia do euroOs mercados norte-americanos estão hoje a negociar em queda, com os investidores receosos com uma eventual saída da Grécia da moeda única, no dia em que os23/05/12, 15:01 PSI 20 cai mais de 2% em linha com forte negativismo da EuropaA bolsa de Lisboa segue hoje a cair mais de 2%, acompanhando o forte desempenho negativo da Europa, no dia da reunião informal de líderes em Bruxelas e perante23/05/12, 11:25 Euribor a seis meses mantém tendência e cai para 0,964%A Euribor a seis meses, que em Portugal é usada como referência no crédito à habitação, caiu hoje para os 0,964%. |