09/02/10, 10:48
Segundo o jornal, tudo indica que os investidores estão a perder a confiança na capacidade da moeda única europeia para impedir que os problemas orçamentais da Grécia contagiem outros países da Zona Euro.
De acordo com os dados da Chicago Mercantile Exchange, o operador financeiro de Chicago, que indicam normalmente a actividade dos fundos de alto risco, os investidores reforçaram a sua posição face ao euro até níveis recorde, na semana anterior a 2 de Fevereiro.
Este reforçar de posições, que significa uma aposta na depreciação do euro, representa mais de 40 mil contratos negociados contra a moeda única europeia, e equivale a 7,6 milhões de dólares, informa o Financial Times.
O jornal assinala que, no meio do nervosismo crescente dos mercados, que se questiona sobre se Portugal e Espanha conseguem pôr ordem nas suas finanças públicas, o governo espanhol lançou segunda-feira uma "operação de relações públicas" para tentar tranquilizar os investidores.
A ministra espanhola da Economia, Elena Salgado, deslocou-se a Londres na companhia do seu secretário de Estado, José Manuel Campa, para, entre outros assuntos, se reunir com os responsáveis do Financial Times, que se tem mostrado muito crítico da política económica do governo socialista de José Luis Rodrigues Zapatero.
A ministra encontrou-se com a direcção e jornalistas do diário, que há alguns dias advertiu que em Espanha se pode estar a gerar um drama de maiores proporções do que o grego, devido ao crescente nível da dívida e de défice orçamental, e que acusou o governo espanhol de não tomar as medidas reformistas necessárias para ultrapassar a crise.
Elena Salgado não prestou declarações em Londres, mas José Manuel Campa detalhou, perante uma centena de investidores, os planos de consolidação fiscal e da reforma estrutural que o governo espanhol pretende aplicar.
De acordo com o Financial Times, os dois governantes repetiram em vários fóruns as suas promessas de reduzir o défice orçamental até 3% do PIB, em 2013, depois dos 11,4% alcançados o ano passado.
"Faremos os ajustes necessários", assegurou José Manuel Campa, embora a revelação de que as finanças espanholas estimavam arrecadar este ano 76.800 milhões de euros, através da emissão de títulos, "deixou os mercados mais inquietos", noticiou o jornal.
Esta notícia fez aumentar até 1% o prémio exigido pelos investidores para comprar títulos do tesouro espanhol, comparativamente aos seus equivalentes alemães, assinala o Financial Times.


