Anacom espera switch-off com pouco sobressalto e nível residual de famílias afetadas
Nacional
12/01/12, 08:07 OJE/Lusa
O administrador da Anacom Eduardo Cardadeiro disse à Lusa esperar que o desligamento do emissor de televisão analógica de Palmela aconteça com menos sobressalto do que o tem sido vaticinado e com um "nível residual" de famílias afetadas.
A primeira fase de introdução da Televisão Digital Terrestre (TDT) em Portugal arranca hoje na faixa litoral de Portugal continental, com os emissores a serem desligados de uma forma faseada. Apenas os emissores de Monte da Virgem, Montejunto, Marão e Lousã irão manter-se até ao switch-off total, por razões técnicas.
"A expetativa é que este primeiro momento de desligamento a nível nacional aconteça com muito menos sobressalto do que aquilo que foram os vaticínios mais pessimistas", disse à Lusa o administrador do regulador, horas antes do switch-off do emissor de Palmela, programado para as 11:45.
"Vai ser desligado a meio da manhã o emissor de televisão analógica de Palmela e depois todos os retransmissores que lhe estão ligados e, por isso, as famílias que ainda estejam dependentes desses emissores ficarão sem televisão", explicou Eduardo Cardadeiro.
O administrador adiantou que "haverá um slide a informar os cidadãos que eventualmente possam ficar nessa situação de que isto aconteceu de forma programada e indicando qual é o número de atendimento de TDT para onde podem ligar".
Questionado pela Lusa sobre quantas famílias poderão ficar sem televisão nesta primeira fase, Eduardo Cardadeiro sublinhou que a "expetativa é que isso possa acontecer apenas num nível residual", uma vez que "o conhecimento acerca deste fenómeno é muito elevado".
O administrador da Anacom explicou que "quando se está a fazer desligamentos parciais é difícil fazer uma estimativa do número de famílias que poderão ser afetadas porque, mesmo estando numa zona de influência de um emissor, podem ter as antenas apontadas para outro emissor fora dessa zona".
A avaliar pelos inquéritos que têm sido feitos, "haverá uma percentagem inferior a 10% das famílias que eventualmente pdem ficar numa situação dessas", disse.
Assim, a partir de sexta-feira, o primeiro dia após o switch-off, a Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom) irá estar a monitorizar todo o processo.
"Esta é uma zona com elevadíssima cobertura de TDT onde os casos de receção por satélite serão muito residuais", acrescentou.
Eduardo Cardadeiro salientou que neste momento de transição "tem de haver um apelo para que a sociedade se mobilize para ajudar aqueles que possam ser apanhados desprevenidos", junto dos familiares mais idosos, dos vizinhos e amigos.
O administrador destacou o apoio das autarquias, nomeadamente através das freguesias, que "têm prestado um serviço notável às populações", das igrejas, através dos párocos, que "foram extremamente úteis na divulgação da informação".
É preciso que todos se mobilizem por forma que Portugal, adiantou, "passe por este processo com menor perturbação possível".
Na sexta-feira "vamos constatar que o desligamento de hoje foi o início de um processo que vai correr com grande regularidade".
A partir de 22 de março arranca a segunda fase, com a cessação dos emissores e retransmissores das regiões autónomas dos Açores e da Madeira. A última fase acontece a 26 de abril, altura em as transmissões analógicas do restante território continental serão desligadas.