Greve de transportes afeta seis empresas mas fica aquém do esperado
Nacional
02/02/12, 10:13 OJE/Lusa
A greve nos transportes contra a reestruturação do setor afetou hoje seis empresas - Metro, Refer, CP Carga, Transtejo, Soflusa e SCTP -, mas ficou muito aquém das expetativas dos sindicatos, já que CP e Carris estão a funcionar quase normalmente.
A paralisação, com início às 00:00 e duração de 24 horas, teve início logo às 23:30 com a linha do Metropolitano de Lisboa a encerrar.
Pouco depois da meia-noite a adesão dos trabalhadores desta empresa já era de 100%, segundo um balanço da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS).
À mesma hora, também a linha do Sado da CP começava a ficar afetada, enquanto a CP Carga parava.
Ao início da manhã, a circulação no metropolitano, mas também das embarcações que fazem a travessia do rio Tejo - Transtejo e Soflusa -, era a mais afetada pela greve.
De acordo com a empresa, as ligações fluviais entre o Barreiro e o Terreiro do Paço, em Lisboa, paralisaram e os primeiros barcos a ligar as duas margens estavam previstos para as 09:30.
No Porto, a Sociedade de Transportes Coletivos (STCP) registou uma adesão à greve de 65%, segundo a comissão de trabalhadores, ficando a funcionar entre 90 e 100 dos 220 autocarros da empresa.
Ainda assim, a adesão ficou aquém das expetativas dos sindicatos.
Na quarta-feira, o coordenador da FECTRANS, José Manuel Oliveira, afirmou prever que a greve tivesse uma "adesão significativa" dos trabalhadores, mas isso não aconteceu na Carris e na CP.
Às primeiras horas de hoje, e de acordo com a porta-voz da CP, Ana Portela, os comboios estavam todos a circular com normalidade a nível nacional, esperando-se que ao longo da manhã sejam asseguradas 80% das composições.
Segundo a mesma fonte, entre as 22:00 e as 24:00 de quarta-feira foram suprimidos apenas três comboios na Linha do Sado.
Também a Carris registava uma adesão menor do que a esperada: às 07:30 estavam a funcionar 60% dos autocarros, elétricos e elevadores de Lisboa, de acordo com o porta-voz da empresa.
"Dos 594 veículos programados circulavam, às 07:30, 356 viaturas, o que representa 60% da oferta", adiantou o secretário-geral da Carris, Luís Vale, sublinhando que "na rede de elétricos, ascensores e o elevador de Santa Justa, o cumprimento foi de 100% em relação ao serviço programado".
A greve de hoje é a terceira a afetar as empresas públicas de transportes em três meses.
Na terça-feira, o secretário de Estado dos Transportes alegou que esta paralisação vai custar 150 milhões de euros à economia portuguesa e destruir num dia o esforço de poupança feito num ano.