Mais de um milhão de euros vão ser investidos numa primeira intervenção para reabilitar os solos dos 5.000 hectares que arderam no concelho de S. Pedro do Sul, anunciou hoje o ministro da Agricultura, António Serrano.
O governante visitou hoje à tarde, de carro, as zonas serranas do concelho que durante quase uma semana foram fustigadas pelas chamas, lamentando a "perda imensa" que tiveram agricultores e proprietários florestais.
"Só na primeira intervenção, para reabilitar os solos nesta intervenção inicial de emergência pós-incêndios, será necessário investir aqui cerca de um milhão de euros, um pouco mais", disse aos jornalistas no final da visita.
A reabilitação dos solos vai ser feita com base no relatório da Autoridade Florestal Nacional.
"De S. Pedro do Sul já temos o relatório que nos permite iniciar essa intervenção. É uma primeira intervenção de emergência, corrigindo linhas de água, fazendo limpeza. É aquilo que é importante fazer agora", frisou António Serrano, acrescentando que depois será necessário avançar para "o planeamento da intervenção na florestação".
Esta "é uma intervenção que tem de ser bem pensada tecnicamente", acrescentou, considerando fundamental ouvir várias pessoas sobre esta matéria, "não só do ponto de vista técnico, mas também daquilo que é a sensibilidade das populações", que são quem melhor conhece a região.
O ministro admitiu que incêndios da dimensão do de S. Pedro do Sul demonstram "que ainda há muito para fazer em termos de planeamento da floresta" portuguesa, muitas vezes ordenada, "contrariando aquilo que é a natureza".
"Temos de olhar para tudo isto depois destes incêndios e perceber o que é que podemos fazer no futuro para corrigir. Depois da época dos incêndios o mais importante é nós, com os serviços técnicos, quer dos municípios, quer da autoridade florestal, definirmos uma estratégia de ordenamento deste território de forma a compatibilizar tudo", defendeu, referindo-se ao rendimento "que é importantíssimo para os produtores florestais" e também a uma floresta "que seja mais resistente aos incêndios".
O governante afirmou que, embora existam muitas estimativas, ainda não há um valor exacto dos prejuízos causados pelos incêndios.
"Há muitas variáveis a ponderar e não estamos ainda no final dos incêndios. Estamos em período crítico, que só termina em 15 de Outubro", avisou, considerando ser prematuro fazer estimativas de prejuízos. E lembrou que, desde que há fundos comunitários, se tem investido continuamente na floresta. Só de 2000 a 2009 foram investidos "341 milhões de euros em despesa pública, que potenciou muito o investimento privado".
"O importante é percebermos como é que investimos, onde investimos e que resultados é que obtiveram ao longo deste ciclo que já passou de tantos anos a investir na floresta para planear aquilo que tem que ser feito no futuro", realçou.
Por outro lado, considerou que "a sociedade não deve discutir apenas a floresta e os incêndios na época dos incêndios", mas "de forma correcta durante todo o ano".