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Não há margem para aumentar salários na função pública, segundo Mira Amaral
Nacional
16/12/09, 17:27
OJE/Lusa

O economista Mira Amaral afirma que "não há margem para aumentar salários na função pública nos próximos tempos".

 

"A redução do défice foi mal feita. Devia ter sido feita mais através da redução da despesa do que do aumento da receita, porque agora, numa conjuntura adversa, a despesa está lá toda e a receita foi-se", afirmou Mira Amaral à margem do seminário do Fórum para a Competitividade sobre a "Situação actual das finanças públicas e as necessidades da política orçamental e fiscal a médio prazo".

 
"A famosa redução do défice público que o anterior Governo maioritário do Partido Socialista fez tinha sido conseguida através do aumento da receita e não do controlo ou da redução da despesa. Portanto não é preciso ter grande formação económica para perceber que quando viesse o tempo das vacas magras, a receita evaporava-se e a despesa ficava". Mira Amaral considera também que já antes das eleições se percebia que o défice não se situaria na meta de 5,9% traçada pelo Governo, considerando que a oposição, em especial o PSD, "não teve a mínima credibilidade para saber explicar isto à opinião publica portuguesa".

 
O economista afirma que o Orçamento do Estado para 2010 tem de ter medidas credíveis, que convençam a comunidade e o sistema financeiro internacional, que o Governo consegue controlar a despesa e assim evitar que a dívida pública continue a aumentar, distanciando-se assim do caso da Grécia. Caso isso não aconteça "a despesa pública vai continuar a aumentar e consequentemente a dívida pública vai subir, o País fica no mesmo pelotão da Grécia e vamos ter aqui um risco muito sério de estouro das finanças públicas portuguesas".

 
Para o economista o plano do Governo tem de ser credível senão existe um "sério risco de estouro" das finanças públicas, ou mesmo sofrer uma maior efeito de contágio caso essa situação aconteça na Grécia.

 
O caminho deve ainda ser traçado através da execução no seu pleno da reforma da administração pública, onde "fechar serviços" pode ser um dos caminhos para reduzir o peso nos encargos do Estado, segundo Mira Amaral.

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