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Oleocom sem viabilidade para se manter a laborar, diz gestor judicial
Nacional
21/07/09, 17:16
OJE/Lusa

A crise nos cereais e a constante oscilação dos preços no mercado conduziram à descapitalização da Oleocom, maior importador português de cereais, que está em processo de insolvência.
O relatório elaborado pelo administrador de insolvência, Arnaldo Pereira refere como causas da situação de insolvência a oscilação dos preços dos cereais no mercado e sobretudo na Bolsa de Chicago, através da qual eram feitas as transacções dos produtos, o que veio a agravar-se com a crise dos cereais.
Face às diferenças das taxas de câmbio, em 2006 a empresa veio a ter prejuízos que "ascenderam a 20 milhões de euros".
Há ainda a considerar os "problemas de liquidez", que obrigaram a recorrer ao crédito bancário [em 2007, a dívida era de 46,2 milhões de euros], e a "descapitalização da empresa", resultante da redução das margens de lucro.
Face à situação financeira da Oleocom e à "necessidade de fontes adicionais de crédito", foi detectado que a empresa emitia facturas "sem transacção associada e sem informação ao cliente" para efeitos de recurso ao regime de factoring, sendo posteriormente "anuladas".
A empresa tinha apenas cerca de dez clientes, dependendo da Reagro, Valouro e Promor, considerados os três principais clientes e aos quais foi vendida 65% da matéria-prima.
"Esta política implicou uma dependência bastante elevada destes clientes, o que lhes permitia uma elevada força negocial na definição dos preços e na obtenção de fornecimento de matérias-primas em condições eventualmente pouco vantajosas para a Oleocom", sublinha o relatório.
O administrador judicial defende que a empresa não tem condições para se manter a laborar, devido ao desequilíbrio financeiro e à falta de contratos com clientes e de financiamento para regularizar as dívidas com os credores, estimadas em cerca de 150 milhões de euros.
O Banco Comercial Português é o principal credor, com 52,5 milhões de euros em dívida.
No desemprego desde 1 de Junho e sem salários em atraso, os cerca de 40 trabalhadores pedem cerca de 700 mil euros em indemnizações.
Nos últimos três anos a empresa dedicava-se à compra e venda de cereais a granel para a transformação em óleo de soja, cujas embalagens eram vendidas no mercado nacional.
A extracção e refinação dos óleos eram efectuadas em instalações da Valouro, cujos dois principais accionistas detêm 55% do capital da Oleocom.
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