A criação de dois novos corpos consultivos - um conselho técnico para a internacionalização e outro para as feiras do livro - são alguns dos objectivos do programa de Paulo Teixeira Pinto para a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL).
Estes objectivos constam de um documento apresentado quinta-feira aos sócios da APEL por Paulo Teixeira Pinto - o único candidato à presidência do organismo nas eleições do próximo dia 30 - e ao qual a agência Lusa teve hoje acesso.
Paulo Teixeira Pinto pretende que a APEL se "faça ouvir com autoridade junto do Estado, de todas as instituições e instâncias da sociedade civil e também no quadro internacional, como porta-voz dos interesses e valores do sector em Portugal".
O futuro presidente do sector livreiro em Portugal defende ainda a necessidade de dotar a APEL dos meios que a "tornem capaz de recolher, organizar e proporcionar a todos uma informação fiável e completa sobre o livro em Portugal, e aos seus, associados, uma permanente actualização no que respeita às mudanças tecnológicas, ou outras, e às novas oportunidades, desenvolvendo também padrões e critérios que melhorem a sua eficiência, qualidade e competitividade".
Teixeira Pinto sublinha a importância das negociações dos últimos meses que desembocaram na extinção da União dos Editores Portugueses (UEP) e sua inclusão na APEL, defendendo que este é o momento para proceder a uma "refundação da representação institucional da associação do sector do livro" e para "começar de novo".
"Esta é, de facto, uma oportunidade única para fazer valer a todos os níveis o peso específico que deve ter o livro na sociedade portuguesa e para qualificar a APEL definitivamente como parceiro institucional entre as mais relevantes instituições nacionais e internacionais, o que obriga a um esforço de profissionalização da gestão corrente da associação", sustenta.
"Começar de novo - Mas todos juntos [Andamento em três letras e dez (compassos)]" - assim se chama o documento apresentado por Teixeira Pinto aos sócios da APEL.
O candidato à presidência da APEL refere ainda a necessidade de não "subestimar" nem "ignorar" os desafios que se apresentam à associação, nomeadamente os que respeita à propriedade intelectual e à comercialização do livro e que embora se fale de crise ela deve ser vista como "uma oportunidade".
Defende ainda que a "morte dos livros, "tão anunciada ou temida ao longo dos últimos anos" se tem revelado "bastante exagerada", por que se publica cada vez mais e mais depressa.
"Todas as novas maneiras de publicar redundam em maior número de publicações tradicionais", sublinha, acrescentando que em Portugal são publicados cerca de 15 000 títulos por ano.
Refere ainda que a vertente editorial do sector livreiro na Europa é uma das mais importantes indústrias culturais, representando um volume de negócios de mais de 20 000 milhões de euros.
Acrescenta que a APEL congrega actualmente 188 editores, 38 livreiros, dez alfarrabistas e nove distribuidores e que a unificação com a UEP não deve ser vista como uma "solução em si própria" mas uma "oportunidade" para redefinir a estratégica do sector e repensar o livro no presente e no futuro.