10/06/09, 17:43No documento, Fernando Sá alerta que "a vontade de transformar o Mercado do Bolhão num 'shopping' é muito clara", referindo-se à intenção de instalação de uma cobertura no mercado, e salienta que isso implicará "gastos energéticos muito elevados".
"Reafirmo que o programa que a Câmara lançou é eleitoral, não defende os comerciantes nem a cidade, antes abre hipótese aos centros comerciais e fecha as portas comércio tradicional", sustenta.
Para o dirigente associativo, "o processo em curso para o Mercado do Bolhão está em queda livre, sem prazos e sem uma estratégia ideológica, apenas a vontade de o entregar a privados para construir mais um 'shopping' no Porto".
Recordando o protocolo celebrado em 18 de Dezembro de 2008 entre o ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, e o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, a associação destaca que foi então prometida "celeridade e preservação do Mercado do Bolhão".
Contudo, "o que se constata é o silêncio, sucessivos adiamentos e o abandono dos comerciantes do mercado por falta de condições de trabalho".
"Em período de eleições, o Mercado do Bolhão corre o risco de ser palco de campanhas políticas e sujeitar-se novamente ao esquecimento, como aconteceu em 2005", alerta, recordando "o que aconteceu ao Mercado do Anjo, junto à Torre dos Clérigos, que está abandonado e transformado num gueto".
De acordo com a associação, o Mercado do Bolhão "só não foi demolido porque um forte movimento de pessoas, nacionais e estrangeiras, impediram de fosse transformado num 'shopping' e entregue à empresa imobiliária TCN por um período de 70 anos".
Para o movimento, a solução passa por retomar projecto do arquitecto Joaquim Massena, "aprovado pela câmara e pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, que reabilita o mercado e regenera a habitação e o comércio envolvente".
"Este projecto é inovador, respeita a vontade dos comerciantes e dos seus utilizadores, mantém o mercado de frescos e acrescenta novas valências nas áreas de restauração, dos espaços de atelier e de exposições", sustenta Fernando Sá.
Segundo acrescenta, o projecto de Joaquim Massena "abre ainda a hipótese do uso em diferentes horários, respeitando novas vontades e recriando momentos de festa e de animação cultural".


