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Auditoria da Deloitte à Oleocom aponta para ilícitos da administração
Negócios
11/08/10, 16:33
OJE/Lusa

A auditoria da Deloitte à Oleocom, que tem na sexta-feira mais uma sessão do julgamento de insolvência, poderá levar os juízes a condenar a empresa por negócios ilícitos e descapitalização do maior importador de cereais português.

 

Fonte ligada ao processo disse à agência Lusa que a análise às contas da empresa pedida a uma auditora externa, a Deloitte, é a principal prova na qual os juízes se podem basear para condenar o administrador executivo da empresa, Ramiro Raimundo.

 
O administrador de insolvência, Arnaldo Pereira, disse também que o seu parecer vai "no sentido de a insolvência ser qualificada como culposa relativamente ao presidente do conselho de administração da Oleocom", Ramiro Raimundo.

 
O relatório da Deloitte aponta para diversas transacções financeiras, entre a Oleocom e a Intracom - empresa sediada num paraíso fiscal e gerida pelos mesmos administradores da Oleocom, Ramiro Raimundo e os dois principais accionistas do Grupo Valouro, José António dos Santos e António José dos Santos.

 
O esquema identificado consistia na aquisição de matérias-primas para a Oleocom através da Intracom, cujas facturas tinham um preço mais elevado do produto face à factura original enviada pelo fornecedor, retendo por isso a diferença.

 
Na conta bancária da Intracom foram também identificados movimentos contabilísticos oriundos da Oleocom, em relação aos quais "não foi possível relacionar com transacções comerciais" nem localizar "o suporte documental" da Oleocom a justificar as transferências de capital que saíam da empresa.

 
Ramiro Raimundo assegurou em tribunal que a "Intracom não tinha como objectivo transferir fundos para fora da actividade" mantida com a Oleocom.

 
Além da volatilidade dos mercados e da crise dos cereais, a Deloitte aponta ainda como causa da insolvência a descapitalização da empresa, associada ao alegado esquema com a Intracom e à necessidade crescente de liquidez com recurso ao crédito bancário, tendo atingido no final de 2009 uma dívida de 95 milhões de euros.

 
Para resolver os problemas financeiros eram contraídos empréstimos sobretudo por via do sistema de factoring, "recorrendo a práticas de antecipação e manipulação dos valores da facturação antes da data de entrega efectiva da mercadoria".

 
Nos últimos três anos a empresa, sediada na Lourinhã, dedicava-se à compra e venda de cereais a granel para a transformação em óleo de soja, cujas embalagens eram vendidas no mercado nacional, importando por ano um milhão de toneladas de cereais.

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