BCP, BPI e BES com prejuízos de quase 1100 milhões de euros
Negócios
03/02/12, 18:26 OJE
Os três maiores bancos privados portugueses apresentaram prejuízos de quase 1100 milhões de euros durante o ano passado, de acordo com os resultados apresentados esta semana, atribuindo-os essencialmente aos impactos da crise da dívida soberana.
A lista dos piores resultados, que somam 1098,9 milhões de euros, é, como se esperava, encabeçada pelo BCP, que registou um prejuízo de 786 milhões de euros, seguida do BPI, com um resultado negativo de 203,9 milhões, e do BES, com 108,8 milhões de euros. O Santander, por outro lado, conseguiu um lucro de 64,1 milhões de euros, piorando face aos lucros de 439,6 milhões de euros de 2010.
O Banco Comercial Português (BCP) teve um prejuízo de 786 milhões de euros no ano passado, acima da média das estimativas dos analistas consultados pela Lusa. Os fatores extraordinários ascenderam a 972 milhões de euros, a grande fatia dos quais devido às imparidades relacionadas com a Grécia.
O "core tier 1" do BCP atingiu no ano passado o valor mais elevado de sempre, nos 9,4%, "o dobro do que tinha quando começou a crise", frisou o presidente Santos Ferreira, durante a apresentação das contas. No final de 2010, o "tier 1" do BCP era de 6,7%.
O Banco Espírito Santo, por outro lado, apresentou hoje resultados de 2011 com um prejuízo de 108,8 milhões de euros em 2001, com origem na atividade doméstica. O prejuízo de 108,8 milhões de euros em 2011 contrasta com o lucro de 556,9 milhões de euros, registado em 2010, uma queda que o que o banco liderado por Ricardo Salgado atribui ao desenvolvimento do processo de desalavancagem financeira, ao reforço das imparidades e à contabilização de encargos de natureza extraordinária no total de 378,3 milhões de euros.
No relatório de contas, enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o BES adianta que, "excluindo os factos de natureza não recorrente, o resultado teria sido positivo em 166,6 milhões de euros".
O banco atribui este prejuízo, "sobretudo, devido ao impacto de imparidades resultantes da exposição à dívida grega (339 milhões de euros negativos) e da transferência do fundo de pensões para a Segurança Social (71 milhões de euros negativos)".
Os resultados do banco liderado por Fernando Ulrich foram piores do que estimavam os analistas consultados pela agência Lusa, que apontavam para um prejuízo ligeiramente acima de 80 milhões de euros. Já o lucro líquido da atividade corrente ascendeu a 115,9 milhões de euros.