BPI deve apresentar hoje prejuízos de 80,5 milhões de euros
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02/02/12, 09:06 OJE/Lusa
O Banco BPI marcará hoje o arranque da apresentação de resultados da banca portuguesa, devendo apresentar prejuízos de 80,5 milhões de euros em 2011, segundo a média das previsões de quatro casas de investimento consultadas pela agência Lusa.
Na sexta-feira, será a vez do BCP e do BES apresentarem as suas contas do ano passado, depois de encerrar a bolsa portuguesa, que também deverão ser negativas. Segundo a média das estimativas de quatro analistas, o BCP terá registado um prejuízo de 721 milhões de euros, enquanto as previsões de cinco analistas para o BES apontam para um prejuízo ligeiramente superior a 23 milhões de euros.
No conjunto, segundo estas estimativas, os prejuízos dos três principais bancos privados portugueses ascenderão a 824,54 milhões de euros.
Na quarta-feira, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), António de Sousa, confirmou as previsões dos analistas sobre um 'ano negro' no que toca aos resultados da banca portuguesa.
Segundo o responsável, as imparidades registadas pelos bancos devido à transferência dos fundos de pensões para o Estado e por causa da dívida grega, a somar ao imposto extraordinário, explicam os prejuízos da banca em 2011.
"Os prejuízos da banca no ano passado devem-se a acontecimentos não recorrentes", salientou António de Sousa, apontando para a transferência dos fundos de pensões para o Estado, para a dívida grega detida em carteira e para o imposto extraordinário cobrado no ano passado, que ronda os 160 milhões de euros de prejuízo direto para a banca.
O presidente da APB, que foi ouvido na Comissão Eventual para Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal, no Parlamento, acrescentou ainda que a queda generalizada das bolsas em 2011 fez cair o valor das participações financeiras detidas pelos bancos portugueses em várias empresas cotadas, o que também penalizou os resultados da banca nacional.
"Tudo isto faz com que os resultados da banca tenham caído em 2011", realçou, acrescentando que "a situação em Portugal deteriorou-se tanto que nem os resultados obtidos no estrangeiro permitem que se apresentem resultados positivos".