O acordo de "parceria estratégica" entre a PT e a Oi permitirá ao Governo brasileiro, que teve uma participação "fundamental" no negócio, encaixar 478 milhões de euros, noticia hoje a imprensa local.
A PT irá adquirir uma participação de 22,4% na brasileira Oi, após vender à Telefónica a parte que tinha na Vivo por 7,5 mil milhões de euros.
"A participação do Governo brasileiro foi fundamental na conclusão dos dois negócios que mudam o rumo das telecomunicações no país", refere o jornal Folha de São Paulo. O diário sublinha que o BNDES (banco estatal de fomento) e fundos de pensão de empresas estatais, accionistas da Oi, devem realizar um encaixe na operadora de 1,1 mil milhões de reais (478 milhões de euros).
O encaixe será necessário para que esses accionistas mantenham as actuais participações na Oi, uma vez que o acordo com a PT incluirá um futuro aumento de capital da operadora brasileira.
Os actuais accionistas da Oi terão de subscrever a futura operação de aumento de capital da Oi de até 12 mil milhões de reais (5,21 mil milhões de euros) para manter as participações.
"O Governo não confirmou nem negou o aporte, mas para que a operação fosse fechada, o presidente Lula (da Silva) impôs que a tele continuasse "brasileira da Silva"", refere a Folha de São Paulo.
O diário Valor Económico sublinha que o "fim da telenovela" resultou em dois negócios bilionários, anunciados no dia em que foi assinalado o aniversário de 12 anos da privatização do sector de telecomunicações no Brasil.
Os valores dos negócios garantiram que a operação saísse num prazo de tempo muito curto, uma vez que o primeiro contacto para uma negociação efectiva (no caso do acordo entre PT e Oi) decorreu no dia 19 de Julho.
"Estamos quatro dias praticamente sem dormir. Antes não tinha nada", afirma Pedro Jereissati, do grupo La Fonte, um dos accionistas de referência da Oi.
"A entrada na Oi é de grande complexidade societária, pois os portugueses devem permear toda a cadeia societária (da Oi), num total de quatro níveis", sublinha o diário. Com isso a PT garantiu "um preço de prémio de controlo aos actuais sócios maioritários e uma relação económica mais vantajosa para o investimento total".
O diário salienta ainda que o risco de diluição dos accionistas minoritários com a proposta de aumento de capital foi responsável pela descida das acções da Oi após o anúncio do acordo com a PT.