A construção da unidade petroquímica da La Seda em Sines poderá recomeçar já no início de 2010, com sinais positivos de "princípios de entendimento" entre os accionistas do grupo, com sede em Barcelona e participações de empresas portuguesas.
Essa convicção foi manifestada em entrevista à Lusa por Francisco Sá, presidente executivo da AICEP Parques, que se encontra em Madrid para uma acção de promoção junto de entidades espanholas sobre os projectos de Sines.
"A nossa expectativa é de que, até final do ano, as coisas se consolidem para que a construção possa ser retomada no início de 2010", disse.
"O projecto está parcialmente construído. Houve uma paragem. Mas parece estar próximo um entendimento entre a malha accionista que pode permitir o desenvolvimento e a retoma do projecto", afirmou.
Francisco Sá sublinhou que a convicção da AICEP Parques é de que, apesar dos problemas da La Seda, "o investimento em Sines nunca esteve em causa".
"É um investimento absolutamente viável no que é a plataforma industrial mais moderna da Europa", sublinhou.
"Relativamente à questão de fundo (da La Seda) a informação que temos é que há princípios entendimento entre os principais accionistas que poderá permitir a retoma da construção já em Janeiro", frisou.
Envolvida num complexo processo de reestruturação - necessário devido à divida acumulada de centenas de milhões de euros - a La Seda tem estado em negociações com os credores, incluindo um sindicato bancário que, em parte, permitam viabilizar o projecto em Sines.
Em Outubro a La Seda assinou um crédito de 10 milhões de euros com a CGD que permitirá continuar com o projecto de Sines, por um lado, e ao mesmo tempo dar alguma liquidez para os gastos "circulantes" da empresa.
Na altura, o presidente da CGD disse à Lusa estar "relativamente optimista" em conseguir encontrar uma solução que permitia viabilizar a química La Seda e, ao mesmo tempo, garantir a continuidade do projecto de Sines.
Da empresa sempre houve garantias de que o projecto em Sines "´é para continuar", como referiram à Lusa fontes da empresa com sede em Barcelona, e que entre outros conta com participações do grupo português Imatosgil Investimentos SGPS e da CGD.
Representando um investimento de 400 milhões de euros, e estimando-se que crie mais de 500 empregos, o projecto da nova fábrica de petroquímica do grupo espanhol (PTA) arrancou em Março de 2008.
O investimento a três anos contava com o apoio de 99 milhões de euros do Estado português, que apoiará o investimento directamente com a atribuição de 39 milhões de euros de subsídios e o restante em benefícios fiscais.
O PTA, cuja denominação é ácido tereftálico purificado, é um produto de base (matéria-prima) para todas as formas de poliéster: resina PET para embalagem, filme para embalagem, resinas de investimento por pulverização e fibras sintéticas.
A produção anual da nova fábrica rondará as 700 mil toneladas de PTA, segundo dados da empresa.
O calendário inicial, agora adiado, antecipava que a produção começasse já no primeiro trimestre do próximo ano, ajudando a colmatar o défice actual de PTA, que é a principal matéria-prima do produto estratégico da empresa - PET (polímero, termoplástico ou plástico utilizado em embalagens) - no mercado europeu.
O projecto de Sines é actualmente o mais significativo da La Seda que se debate actualmente com vários problemas financeiros, tendo as contas da empresa relativas a 2008 registado perdas de 565 milhões de euros, com a dívida a ascender a 868 milhões de euros.