Energia, tecnologias de informação e agro-indústria são áreas promissoras de investimento em Moçambique, por parte de empresários portugueses, defende o presidente da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.
Em declarações à agência Lusa em Maputo, onde se encontra no âmbito da visita de José Sócrates a Moçambique, Basílio Horta notou que há um crescimento anual médio de cerca de 30% das exportações para Moçambique, onde o investimento acumulado vai em cerca de 500 milhões de euros.
Segundo Basílio Horta, Moçambique continua a ser descoberto pelos empresários portugueses e há melhores perspectivas de futuro no seguimento da visita do primeiro-ministro português, que assina hoje, na província de Tete, a criação de um fundo de apoio a empresários portugueses e moçambicanos, e que quarta-feira assinou a criação de um banco de investimento em parceria com Moçambique.
"Há sectores onde há muito por fazer e onde a tecnologia portuguesa é muito adaptada", defende Basílio Horta, citando como exemplo o da energia, tendo em conta que Moçambique tem 14.000 megawatts de energia passíveis de serem explorados.
Para o responsável há uma "natural proximidade" entre empresários portugueses e moçambicanos e não faltam apoios aos investimentos, sendo necessário que, alerta, "esses apoios cheguem às empresas e não sejam burocratizados".
É que, defende, Moçambique tem um grande potencial de crescimento, quer para grandes projectos quer para pequenas e médias empresas, estando o AICEP "muito disposto e motivado para apoiar esses projectos".
Mas Basílio Horta vai mais longe. Diz que se Portugal esteve em tempos muito virado para Espanha e o resto da Europa, a crise e a globalização devem centrar agora as atenções nos países de língua portuguesa, tanto mais que aqueles mercados tradicionais estão esgotados.
Moçambique ou Angola, mas também há oportunidades na Guiné-Bissau, S. Tomé ou Brasil, entre outros. "São países que naturalmente terão de nos interessar. A nossa presença na Europa é tanto mais respeitada quanto maiores forem os laços com os países que falam português". Acrescenta que "o nosso futuro está em larga medida aqui, na relação com o Brasil...". E "é muito bom" que países como Angola ou o Brasil tenham interesse em investir em Portugal.
Questionado sobre se os investimentos portugueses em Moçambique não terão a curto prazo de competir com os interesses idênticos de angolanos e brasileiros, Basílio Horta afirma apenas que "nenhum deles está na Europa, e isso faz a diferença", mas diz também que "tudo quanto for para desenvolver o espaço português é bom".
Afirmando que a AICEP vai ter em breve missões empresariais em Moçambique, Basílio Horta garante ainda "que nenhum país é mais competitivo do que Portugal em termos tecnológicos em relação a Moçambique".