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Google consegue patentes para bloquear documentos e anúncios
Negócios
15/03/10, 09:40
OJE/Lusa

A Google está "em movimentação na área da gestão de conteúdos baseados na localização do utilizador", tendo obtido em Fevereiro duas patentes submetidas em 2004, alerta o Partido Pirata Português.

 

No site do Gabinete de Patentes e Marcas Registadas dos EUA, www.uspto.gov/, lê-se que a primeira patente, de dia 16, é relativa a documentos ou versões digitalizadas dos mesmos, ditando que o conteúdo será apresentado ao utilizador tendo em conta os direitos de acesso para o país em que se encontra, podendo ter acesso total, parcial ou negado. A segunda, datada de 23, refere-se a um sistema de anúncios e funciona em moldes similares.

 
Para Nuno Cardoso, do Partido Pirata Português, "é válido desconfiar que aquelas não tenham sido as únicas patentes submetidas no âmbito da geolocalização mas apenas as já validadas", podendo ter sido feitas outras "para o vídeo e para o áudio" - talvez até pelo YouTube, que a Google adquiriu em 2006 - além de importar saber "como serão considerados os documentos com multimédia embebido".

 
Nuno Cardoso, engenheiro informático de 36 anos que trabalha na área das patentes em Lisboa, acredita que agora "ou a Google tenta aplicar a sua patente e cobrar a outros motores de busca ou outras entidades e vender licenças, facturando, ou bloqueia o uso dessa tecnologia por parte de outras empresas que a pudessem querer implementar, por exemplo na China, invalidando assim, em parte, o geoblocking".

 
"O futuro da Internet pode, portanto, receber um bocadinho a ajuda da Google ou não, dependendo da direcção que eles tomarem", complementa, avançando um cenário em que "a Google e a China não se entendem e a Google decide não proceder a censura", optando também por "não licenciar o uso da sua patente a mais ninguém".

 
Então "é colocada online uma versão electrónica de uma revista ou livro com a história ilustrada sobre o massacre de Tiananmen" e - ao abrigo da patente da Google - "ninguém pode impedir o acesso completo a esse documento baseado na geolocalização de um internauta, nem mesmo quem estiver a disponibilizar o documento".

 
Para o responsável do Partido Pirata Português "não devem ser os provedores dos serviços a bloquear conteúdos consoante o ponto de entrada dos utilizadores mas sim os países a fazer o controlo de acordo com as suas leis, respondendo depois perante os cidadãos".

 
Sobre esta questão Scott Rubin, responsável de Comunicações Globais e Política Pública da Google em Nova Iorque, declarou à agência Lusa que a empresa se limita a "cumprir as leis dos países em que opera". "Por exemplo, na Alemanha, alguns conteúdos relacionados com o nazismo são ilegais. Não os removemos, mas optamos por bloquear-lhes o acesso nesse país, informando os utilizadores", esclarece.

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