Macau acolhe mais de 1.000 milhões de euros de investimento português, valor que a AICEP considera simbólico do compromisso com a região dez anos após a transição de poderes de Portugal para a China.
"Muitos dos investimentos portugueses que existiam em Macau antes da transição permaneceram e, felizmente, têm surgido novos projectos, o que é um sinal para outros portugueses de que existem oportunidades que vale a pena aproveitar", salienta Luís Florindo, administrador da AICEP.
A Clínica Maló abriu no Verão um spa médico no resort The Venetian, que tem o maior casino do mundo, e é um dos maiores investimentos portugueses dos últimos anos - mais de 35 milhões de euros - na região hoje administrada pela China. "Macau é uma plataforma a partir da qual será definida toda a estratégia da Maló para a Ásia", salienta José Peres de Sousa, responsável local da clínica, ao acrescentar que a empresa tem contactos com investidores do Vietname, Taiwan e China continental para novos projectos.
A Sociedade Industrial de Macau (SIM), de Vasco Pereira Coutinho, dedica-se desde 2008 à torrefacção de café no parque transfronteiriço Macau-Zhuhai, e em 2010, prevê produzir 1.400 toneladas de café ao "estilo europeu" comprado no Brasil, Vietname e Índia. Olá Café e Joy são as duas marcas da SIM na China e Indonésia e em 2010 chegam a Taiwan, explica o director-geral João Basto, ao considerar Macau como um "local privilegiado" para o negócio por usufruir das vantagens fiscais para a China.
O Banco Nacional Ultramarino (BNU) está presente há mais de um século, é co-emissor de moeda e tem vindo a consolidar a sua posição no mercado. Com 13 agências e 430 funcionários, o BNU tem participado na expansão económica de Macau através do financiamento dos projectos de quatro das seis operadoras de jogo, prevendo fechar o ano com um lucro de 30 milhões de euros, segundo o administrador-executivo, Herculano de Sousa.
Em Macau há 25 anos, a Hovione planeia abrir uma sede no principal núcleo produtivo na China em detrimento da Europa.
TAP e ANA são as presenças portuguesas há 15 anos no sector da aviação e participam na gestão do aeroporto em parceria com a China National Civil Aviation, no caso da ADA, e na Air Macau, no caso da TAP, mas que viu recentemente a quota de 20% reduzida a 0,1% porque não acompanhou a reestruturação financeira da transportadora.
A EDP é accionista da Companhia de Electricidade de Macau desde 1990, sendo hoje o maior investidor individual, com 21% de acções, que está a usar Macau como base para futuros negócios de exportação de tecnologia e conhecimentos na área das renováveis para a grande China.
Com vista a diversificar as exportações, a AICEP classifica hoje a China como um "mercado estratégico e prioritário" e aposta em Macau como "plataforma para conseguir colocar mais produtos portugueses no mercado chinês".