Numa altura em que a fábrica da La Seda em Sines deveria estar a iniciar a produção, Rui Toscano, director industrial da unidade, aguarda com "expectativa" a retoma das obras, paradas há seis meses, prevista para a próxima segunda-feira.
Dois anos após o lançamento da primeira pedra da Artenius-Sines, que de acordo com as previsões iniciais já deveria estar a produzir, o director industrial da unidade, Rui Toscano afirma à agência Lusa esperar na segunda-feira poder "oficialmente informar" que está a ser "retomada a obra".
O responsável da Artenius-Sines explica que a disponibilização da verba por parte da Caixa Geral de Depósitos (CGD) está dependente de "requisitos administrativos" relativos a "documentação" e ao "plano da La Seda".
Envolvida num complexo processo de reestruturação - necessário devido à dívida acumulada de centenas de milhões de euros - a La Seda esteve em prolongadas negociações com os credores, em parte para permitir viabilizar o projecto de Sines.
A construção da fábrica de PTA [ácido tereftálico putificado] está interrompida desde Setembro do ano passado, tendo nos últimos seis meses havido a perspectiva, anunciada por diversas vezes, da retoma dos trabalhos, sem que nunca se concretizasse.
Em Outubro a La Seda assinou um primeiro crédito de 10 milhões de euros com a CGD para continuar com o projecto e dar alguma liquidez para os gastos "circulantes" da empresa, não tendo chegado a ser dada continuidade à obra.
A La Seda tinha confirmado entretanto, no final de Janeiro, a obtenção de um crédito de 371 milhões de euros, no modelo project finance, liderado pela CGD, que permitiria retomar os trabalhos de construção.
Contudo a Artenius-Sines continua a aguardar a disponibilização da verba para poder inclusivamente pagar a dívida a fornecedores que ascende actualmente, segundo revela Rui Toscano, a 90 milhões de euros.
A paragem da obra e a demora do processo de disponibilização de verbas poderá vir a causar "impacto em alguns custos", mas o mesmo responsável assegura que a construção da unidade continua com um investimento previsto de 400 milhões de obras.
Menos optimista que há uns meses atrás, o director da unidade de Sines prefere remeter para a próxima semana dados concretos sobre a possível retoma da obra.
A primeira pedra da fábrica da Artenius-Sines, classificada como Projecto de Interesse Nacional, foi lançada a 13 de Março de 2008, tendo a construção sido interrompida a 11 de Setembro para uma paragem prevista de um mês, mas que já vai em seis meses, que empurrou a previsão de início de laboração para o meio do ano de 2011.
Quando iniciar a produção a Artenius-Sines prevê uma produção anual de 700.000 toneladas de PTA, matéria-prima extraída do crude utilizada para a produção de PET, que é a base utilizada no fabrico de embalagens plásticas, e uma exportação anual na ordem dos 500 milhões de euros.