A marca da petrolífera britânica BP desvalorizou 61% desde a explosão da plataforma no Golfo do México, em Maio, perdendo 54,7 milhões de euros por dia, avança a consultora internacional Brand Finance.
Apesar de se ter posicionado durante anos como uma das empresas petrolíferas mais respeitadoras do meio ambiente e de ter investido milhões de euros na promoção do slogan "Beyoung Petroleum" (Para além do Petróleo), o desastre ambiental teve um impacto negativo profundo no valor da marca BP, sobretudo nos EUA.
No total e de acordo com a avaliação desta consultora, a marca britânica já perdeu 5,6 mil milhões de euros devido à catástrofe de 20 de Maio.
"Além das críticas à fuga de petróleo e ao impacto ambiental que isso teve no Golfo do México, a BP foi muito criticada também pela comunicação que fez ao longo da crise", tentando repetidamente dissimular as consequências da explosão, "o que minou ainda mais a reputação da marca", explica o director da Brand Finance, David Haigh. A BP, acrescenta, tornou-se um caso de estudo para a comunidade internacional de empresas sobre a forma de lidar com uma crise da reputação corporativa. "Ironicamente, o ex-presidente da BP, Tony Haywood, garantiu ter melhorado a segurança da empresa quando tomou o lugar de Lord Browne imediatamente antes da explosão", lembra.
A estimativa da Brand Finance baseia-se numa actualização do estudo que faz anualmente e a que chama As Marcas Mais Valiosas do Mundo, no qual analisa 500 marcas globais.
Antes da explosão na plataforma petrolífera da BP, a 20 de Maio, a marca britânica ocupava o 53.º lugar na lista mundial, valendo cerca de 9,1 mil milhões de euros e apresentando uma cotação de AA+.
A 25 de Junho o valor da marca caiu para 3,5 mil milhões de euros com a sua cotação a descer para BB.
Segundo adianta a consultora num comunicado hoje divulgado, a sua expectativa agora é que a BP leve a cabo uma operação para revalorizar a marca sobretudo nos EUA, destacando a sua herança e a ligação aos trabalhadores e consumidores norte-americanos.
Além da desvalorização da marca a BP enfrenta ainda uma queda superior a 30% das acções da empresa, que apresentou resultados trimestrais muito piores que em 2009.
No segundo trimestre deste ano a petrolífera registou um prejuízo de 13 mil milhões de euros devido aos custos com a limpeza da maré negra no Golfo do México, sendo que no mesmo período do ano passado tinha lucros de 3,3 mil milhões de euros.