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Obercom sugere criação de taxa de Internet em alternativa a conteúdos pagos
Negócios
21/12/09, 11:42
OJE/Lusa

O presidente do Observatório da Comunicação sugere a criação de uma taxa a pagar na factura do serviço de Internet e a distribuir pelos fornecedores de conteúdos como alternativa ao pagamento pelo acesso a conteúdos online.

 
A ideia, avançada por Gustavo Cardoso em entrevista à Lusa a propósito do 10.º aniversário do Obercom, é semelhante ao que já acontece na factura da electricidade que inclui a Contribuição para o Audiovisual, que constitui uma receita da RTP.

 
Na opinião do presidente do Obercom, os órgãos de comunicação social que equacionam cobrar pelos conteúdos que disponibilizam na Internet devem questionar-se se vale a pena essa aposta que implica a perda de uma série de leitores.

 
"Não conheço nenhum estudo em Portugal sobre esta questão mas se na factura da Internet de casa um euro for destinado a compensações para entidades que produzem os conteúdos, talvez seja mais rentável do que o pagamento directo", defendeu.

 
Segundo Gustavo Cardoso, as tensões são tão grandes entre empresas, entre empresas e operadores de Internet e entre o Estado e empresas que, "provavelmente, vamos continuar a ter soluções complicadas cujos custos podem até nem justificar o acto de receber".

 
"Estas coisas valem a pena ser ditas e feitas se tivermos a certeza. Temos de estar certos que não vamos voltar atrás na decisão", alertou.

 
Para o presidente do Obercom existem ainda outros problemas no espaço on-line por resolver em Portugal.

 
"No caso português em concerto temos um problema para resolver no clipping, um tema que se arrasta e que ainda não teve solução que é fundamental para desviar obtenção de lucros ou a repartição de lucros obtidos por utilizações secundárias para fins comerciais da informação produzida por outrem", disse.

 
Relativamente à questão se devem ou não ser pagos os acessos à informação fornecida, Gustavo Cardoso considera que devem ser analisados os comportamentos dos consumidores.

 
"Há vários tipo de consumidores. A maior parte das pessoas não lê as notícias, lê apenas os títulos e em cada dez apenas uma lê uma notícia do princípio até ao fim", disse.

 
"Se esses títulos não pagos forem retirados as empresas irão perder um conjunto de potenciais leitores que para a publicidade deixam de contar e será que o grupo reduzido dos que lêem as notícias pagas recuperarão a perda dos outros?", referiu.

 
Na opinião do presidente da Obercom, todo este exercício deve ser feito pelas empresas e não havendo ainda uma resposta nacional é necessário olhar para os exemplos internacionais.

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