23/09/09, 09:55A Sociedade Ponto Verde anunciou que vai abandonar em Outubro a retoma e envio para reciclagem dos plásticos mistos, como embalagens de manteiga ou copos de iogurtes sólidos, considerando esta medida "indispensável" para evitar a falência.
Ao contrário do que é habitual na sua política de comunicação, o anúncio foi feito à Lusa, não pelo director daquela entidade gestora, mas pelo presidente do conselho de administração, que justificou a sua presença com a "gravidade" da situação financeira da Sociedade Ponto Verde (SPV).
"Na crise que vivemos não há sectores protegidos. A crise também se repercutiu no SIGRE [Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagem, gerido pela SPV] e a situação é de uma enorme gravidade", afirmou Barahona d´Almeida.
O presidente admite mesmo uma situação de falência em 2010: "Se nada for feito a SPV pode falir. Aprovámos para 2009 um orçamento de sacrifício, com 10 milhões de euros de prejuízo, mas agora sabemos que vai ser pior e podemos duplicar os prejuízos no final deste ano se não acabarmos com a retoma dos plásticos mistos".
A razão, adianta, é o aumento das quantidades de resíduos de embalagens recolhidas - que este ano deverá atingir as 600 mil toneladas, um aumento de 13% - que implica custos que não estão a ser suportados pelo valor que os embaladores pagam à SPV para suportar o tratamento dos resíduos.
"Também as contrapartidas [valor pago pela SPV aos sistemas municipais e multimunicipais pela recolha das embalagens] são incomportáveis e representam mais de 85% das nossas despesas", adiantou Barahona d´Almeida.
Foi só em finais de 2007 que os plásticos mistos, como pacotes de batatas fritas ou embalagens de manteiga, começaram a ser depositados nos ecopontos e recolhidos pela SPV para enviar para reciclagem.
"Foi uma experiência piloto que custou 15 milhões de euros. A actividade da SPV não chega a 60 milhões de euros e 10% dos recursos vão para os plásticos mistos, o que é insustentável. Vamos deixar de retomar este resíduo a partir de 1 de Outubro", afirmou o presidente da entidade gestora.
O plástico misto reciclado tem sido utilizado em mobiliário urbano, como bancos de jardim ou cercas, mas Barahona d´Almeida considera este mercado "muito limitado".
"Os custos da operação são significativos. Temos de pagar a contrapartida de uma coisa que é refugo. O esforço é elevadíssimo para um resultado de natureza ambiental baixíssimo e a licença não obriga a SPV a fazê-lo", adiantou.
Apesar da decisão, os consumidores podem continuar a depositar as embalagens de plástico misto no ecoponto, mas o seu destino passa a ser o aterro ou a incineração.
O facto de estas embalagens deixarem de ser recicladas não vai, na opinião daquele responsável, pôr em causa o cumprimento das metas de reciclagem assumidas por Portugal perante a União Europeia.
"Neste momento está já garantida a meta de reciclagem dos plásticos. Estamos quase em linha com os 55% que precisamos de atingir em 2011, pois no final deste ano vamos atingir os 52%", afirmou Barahona d´Almeida.
Esta percentagem é calculada com base na quantidade de resíduos colocada no mercado por ano e os ambientalistas, como a Quercus, acusam recorrentemente as entidades gestoras de pouco rigor nos cálculos.


