Portugal apresentou em 2008 uma das mais baixas taxas de investimento directo estrangeiro (com 59%), ficando consideravelmente abaixo da média europeia, que foi de 74%, segundo um estudo divulgado pela Ernst & Young.
"Isto aconteceu porque um número significativo de projectos foi trazido para Portugal por companhias já activas no país e, sobretudo, no sector automóvel", refere o estudo da consultora sobre Investimento Directo Estrangeiro (IDE).
Por cada projecto investido em Portugal gerou-se uma média de 157 postos de trabalho, um número bastante acima da média dos países europeus, de 70 empregos criados por projecto.
Este facto explica-se, de acordo com o partner da Ernst & Young, José Gonzaga Rosa, porque os projectos em Portugal ainda estão muito concentrados na produção, nomeadamente na indústria automóvel.
No entanto, disse o responsável em declarações à agência Lusa, o investimento directo estrangeiro na Europa caracteriza-se pelo facto de criar cada vez menos postos de trabalho, porque está cada vez mais concentrado nas componentes de investigação e já não na produção.
"Mas a tendência em Portugal aponta também claramente para a diminuição", avançou. Grande parte do IDE é de origem industrial, apesar do forte desenvolvimento da área de Marketing e Vendas dos últimos dez anos no país, refere a análise da consultora.
O estudo conclui ainda que a imagem de Portugal junto nos investidores internacionais deteriorou-se em 2009 face a 2008. O sector que mais contribuiu para a deterioração da imagem de Portugal no estrangeiro foi o da produção de bens de consumo.
Os sectores da Energia e de Telecomunicações foram, por sua vez, responsáveis pelas respostas mais positivas dos investidores relativamente à percepção que têm do ambiente de negócios em Portugal.