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Queda do mercado farmacêutico obriga a cortes nos investimentos e emprego, alerta Apifarma
Negócios
12/03/10, 12:12
OJE/Lusa

A queda do mercado farmacêutico está a obrigar os laboratórios a "inevitáveis reduções" no investimento e no nível de emprego, alertou hoje o presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), em declarações à Lusa.


Para João Almeida Lopes, o "aumento da despesa decorre acima de tudo dos objectivos e das metas fixadas no Plano Nacional de Saúde, as quais não são compatíveis com os tectos definidos para o crescimento anual da despesa com medicamentos".


De acordo com os dados da Apifarma, a que a Lusa teve acesso, o mercado farmacêutico contraiu-se 3,4% em unidades vendidas e 0,1% em valor durante o mês de Janeiro.


O mercado manteve no mês passado a tendência de crescimento negativo, ao registar, relativamente ao período homólogo, uma descida de 3,4% em unidades e um decréscimo de 0,1% em valor. Em Janeiro, os mesmos indicadores eram de -9,2% e -4,4%, respectivamente.


O responsável refere que o cenário de tendência negativa no mercado dos medicamentos reforça a "preocupação manifestada junto dos governantes" pelas empresas farmacêuticas sobre os seus "constrangimentos" actuais e que as "obrigam a inevitáveis reduções" de investimento e emprego. A "situação afecta toda a cadeia de valor do medicamento", assegura.


"Por outro lado, [os dados] evidenciam claramente que o anunciado aumento da despesa pública com medicamentos não reverteu para a indústria farmacêutica, antes pelo contrário".


O presidente da Apifarma, João Almeida Lopes, considera que os crescimentos negativos resultam da falta de compatibilidade entre as metas do Plano Nacional de Saúde. Em causa está o facto de existir, ao mesmo tempo, um plano para aumentar a produção de cuidados de saúde e um limite para o aumento da despesa decorrente dessa subida.


Esta tendência de contracção do mercado farmacêutico já se verificou em 2009. O "mercado ambulatório de medicamentos registou, pela primeira vez, uma evolução negativa (-0,5%), depois de ter sido nula em 2008", acrescentou o responsável, em declarações à Lusa.


Estes números, prossegue a Apifarma, mostram um "comportamento do mercado de medicamentos claramente em contraciclo com a despesa do Serviço Nacional de Saúde" nesta área, que no ano passado aumentou 5,8%.


O crescimento, no entanto, não é uniforme. Há uma "tendência de crescimento contrária entre medicamentos de marca e medicamentos genéricos", afirma, sublinhando que o primeiro grupo teve um decréscimo homólogo de 3,3% em valor e 6,4% em unidades. No mercado dos genéricos, por outro lado, houve um crescimento de 17,3% em valor e 14,9% em unidades.


Em Fevereiro, os genéricos atingiram uma quota de mercado de 18,1% em valor e 16,5% em unidades, em comparação com o mesmo período do ano passado.

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