A TAP está a conversar com o Governo sobre a privatização e o seu presidente acredita que a companhia aérea já é atractiva para muitos investidores.
"A informação que tenho do Governo é que a TAP é uma empresa a ser privatizada. E agora isso também consta no PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento]. Sem dúvida que tenho conversado sobre isso com o nosso ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, mas aguardo as instruções mais definitivas do Governo para iniciar o processo quando for necessário", disse em entrevista à Lusa o presidente da TAP, Fernando Pinto.
Sobre o eventual sucesso da operação, Fernando Pinto disse que a TAP é "uma empresa que tem um resultado interessante em termos de progresso".
"Não só crescemos muito, mais de 100% nestes últimos oito, nove anos, mostrando que existe um mercado - é um nicho de mercado, mas existe um mercado - como enfrentámos low-cost dos vários tipos, enfrentámos as grandes empresas europeias, as maiores crises que já aconteceram no mundo inteiro e continuámos", sublinhou, fazendo alusão ao encerramento de muitas companhias aéreas nos últimos anos.
Assim, e embora garanta que por enquanto ainda não fizeram "nenhuma aproximação" a potenciais investidores, até porque Fernando Pinto disse "não ter instruções para isso" por parte do Governo, o responsável mostra-se optimista.
"Acho que a TAP pode ser atractiva para muitos investidores. Tenho confiança nisso. A resistência da TAP a tudo o que se passou nos últimos quase dez anos é enorme. Por acaso não sei porque força de sorte são os mesmos anos em que aqui estou. Eu e todo este grupo temos enfrentado todas as dificuldades. Não tem sido fácil, é muito difícil. É criatividade o tempo todo. Há um sacrifício de todos os trabalhadores enorme, sabemos isso, mas é a demonstração de que a empresa é possível, é viável", disse.
Fernando Pinto descarta, no entanto, a possibilidade de a Portugália (PGA) ser vendida em primeiro lugar e à parte.
"Não se tem discutido nada disso. A PGA é um caso de sucesso. Obviamente, o modelo serve muito bem o que a TAP precisa. Se é para estar dentro ou fora do grupo é uma questão que não sei, mas o modelo funciona muito bem", disse o presidente da empresa que detém a companhia regional.
Ainda sobre a viabilidade da TAP, Fernando Pinto lembrou que se se excluir "o tropeço das contas em 2008", ano em que apresentaram prejuízos de mais de 280 milhões de euros, a TAP tem tido sempre "um ano melhor que o outro".