A TAP tem em curso "fortes negociações" com dois interessados na compra da empresa de handling Groundforce, na qual detém uma participação de 49% que a Autoridade da Concorrência já obrigou a vender.
A informação é avançada pelo presidente do conselho de administração da TAP, Fernando Pinto, numa entrevista à agência Lusa.
"Há fortes negociações em curso para a venda da Groundforce", diz Fernando Pinto, acrescentando que, "firmemente, a TAP tem dois interessados".
O mesmo responsável escusa-se a revelar quais os dois interessados na Groundforce bem como se um deles é a Swissport, cujo interesse já tinha sido noticiado.
Questionado sobre se os interessados são europeus, Fernando Pinto afirma que está obrigado contratualmente ao sigilo, mas confirma que "sim, são da região".
A TAP partilhou a Groundforce até Março de 2008 com os espanhóis da Globalia, altura em que os 50,1% detidos pela empresa espanhola foram comprados por três bancos (BIG, Banif e Banco Invest). Na sequência desta operação a propriedade da participação voltou para as mãos da TAP pelo mesmo valor que tinha sido vendida ao consórcio bancário: 31,6 milhões de euros. A TAP transferiu então o controlo de gestão da Groundforce para a empresa independente Europartners, uma operação que foi submetida à autorização da AdC.
Em Novembro a AdC proibiu a operação de concentração entre a TAP e a Groundforce e obrigou a transportadora aérea a vender a empresa em prazo considerado adequado.
Ouvido hoje em comissão parlamentar, o presidente da Autoridade da Concorrência, Manuel Sebastião, afirmou que caso se concretizasse a operação de concentração entre a TAP e a Groundforce esta empresa de assistência em terra poderia perder as licenças por incumprimento das regras comunitárias.
Questionado sobre os prazos dados pela AdC, o presidente da TAP escusa-se a dizer se acredita que a operação de venda da Groudforce vai concretizar-se este ano. No entanto afirma que se tal não vier a acontecer "a TAP terá de se sentar à mesa com a Concorrência para encontrar uma solução".
A Groundforce, diz também Fernando Pinto, vai trazer prejuízos às contas de 2009 da TAP, apesar de ter "melhorado significativamente" a sua qualidade de serviço.