30/12/09, 10:47 Por João Caiado Guerreiro, advogado, jguerreiro@fcguerreiro.com O gigante brasileiro CSN lançou uma OPA hostil sobre a Cimpor. A Cimpor é, possivelmente, a única verdadeira multinacional que Portugal tem. Com operações na Espanha, Brasil, China, India, Egipto, Turquia, etc., num total de 12 países, a Cimpor é global. Nesse sentido, é pena que o centro de decisão de uma das melhores empresas portuguesas passe para o estrangeiro.
Porém, a OPA da CSN é também um sinal dos tempos. A ascensão meteórica da economia brasileira dá às suas melhores empresas a possibilidade de se internacionalizarem através de aquisições. E a CSN é certamente, um comprador sério: detém em Portugal um significativo investimento na antiga Siderurgia Nacional que têm gerido com rigor e dinamismo. Ora, se acreditamos que Portugal tem de aproveitar a ascensão do Brasil para se colocar como plataforma para o investimento brasileiro na UE e em África, nenhuma razão política existe para o Governo tentar travar o investimento da CSN. Claramente, deve ser o mercado a decidir se a OPA sobre a Cimpor deve ter, ou não, sucesso.
E, aqui, o núcleo que controla a Cimpor é tudo menos duro. Na verdade, os principais accionistas, Teixeira Duarte, Manuel Fino, Lafarge estão todos necessitados de dinheiro fresco. E o Fundo de Pensões do BCP e a CGD também têm bom uso para a liquidez.
Isto para não falar na luta que existe entre a TD, MF e Lafarge pelo controle da empresa. Que torna mais fácil o papel da CSN.
Chegados aqui, é preciso dizer que as OPA's hostis não têm tido sucesso em Portugal: a Sonae não comprou a PT e o BCP não comprou o BPI.
Os tempos, porém, são outros. O Estado português e os accionistas da Cimpor estão fortemente endividados. A OPA da CSN sobre a Cimpor é também um sinal dos tempos: quem está muito endividado fica obrigado a vender. É tudo uma questão de preço. As coisas são como são.
Feliz 2010 a todos.
João Caiado Guerreiro
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