A actual força do Brasil tem uma origem. Em 1994, Fernando Henriques Cardoso, então ministro da Fazenda, apresentou o Plano Real. Foi um sucesso. A inflação, então 15% ao mês, anda hoje nos 5% ao ano e a economia brasileira desenvolveu-se de forma extraordinária, reduzindo a pobreza e dando ao Brasil peso e prestigio internacional. O interesse da CSN e da Carmargo na Cimpor e a expansão internacional das empresas brasileiras só são possíveis por isso.
Portugal precisa, urgentemente, de um Plano Real. O estudo do BPI apresentado esta semana veio dizer o que já intuíamos: a dívida pública consolidada corresponde a um ano da riqueza produzida. Só para pagar concessões e divida do Estado precisamos, no próximo ano, de 1,7 mil milhões de euros (6% da receita fiscal). Em 2013 serão 3 mil milhões.
Também o Presidente da República veio alertar para a insustentabilidade do peso do Estado na economia, dos altos impostos, da dívida e da "situação explosiva" a que podíamos chegar. Cavaco deixou claro que ou resolvemos os nossos problemas ou os nossos credores vão impor eles a solução.
E a solução dos credores será muito dolorosa: já repararam no que a Inglaterra fez á Islândia? Quando estes recusaram pagar uma dívida que tecnicamente não era deles - embora fosse de um banco islandês - a Inglaterra usou as leis antiterroristas para bloquear os bens de islandeses e impediu qualquer ajuda da UE ou do FMI. Pressionado por esta quase extorsão o governo da Islândia aceitou pagar a dívida em 10 anos. O parlamento ratificou mas o povo quer um referendo. A Inglaterra respondeu bloqueando outro empréstimo à Islândia.
Portugal está longe desta situação mas tem de enfrentar os seus problemas e, colectivamente, de aceitar a dor que as nossas soluções vão impor. A Islândia mostra que os credores não são meigos. É melhor sermos nós a aplicar o nosso Plano Real antes que a realidade nos aplique o plano deles.
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