A inovação e o empreendedorismo são a alavanca e o ponto de apoio que dão sentido à mudança ![]() ![]() 26/01/12, 00:23 "Dêem-me
uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo", disse o génio
Arquimedes em Siracusa, colónia grega, há mais de 2000 anos. Mas o simples
princípio das alavancas e roldanas compostas é também na Física, na Economia e
nas Ciências Sociais e Humanas e, mais ainda, é absolutamente prioritária a sua
implementação prática, por intermédio da inovação e do empreendedorismo, para
fomentar o crescimento económico, o emprego e a internacionalização.
É conhecido o fenómeno do "tipo ondulatório", quando se estuda a avaliação dos efeitos diretos e indiretos da formação de novos negócios e de startups na evolução do emprego regional durante um período de tempo, que é explicado por um conjunto de fatores. Em primeiro lugar, por causa dos time lags ou desfasamentos entre as medidas implementadas relativamente ao impacto na formação de novas empresas startups e os efeitos visíveis e mensuráveis, no que respeita ao crescimento do emprego e do aumento da competitividade. Em segundo, porque existem fatores positivos e
negativos que afectam o fenómeno. No que se
refere aos fatores positivos, por um lado, as novas startups estimulam e
promovem a introdução de produtos e de serviços inovadores, conduzindo à
comercialização da inovação, à economia do conhecimento e ao crescimento
económico sustentável. Em terceiro lugar, os ciclos de melhoria podem ocorrer
em ambos os lados, quer no que se refere aos "novos entrantes", quer no que
respeita às empresas dominantes e incumbentes, que reagem ao acréscimo de
competição gerado pelas startups inovadoras. Existem também efeitos indiretos
do lado da oferta ou spillovers, que as novas empresas geram no mercado,
contribuindo para o aumento da inovação e da concorrência e produzindo
resultados em termos de criação líquida de emprego. Os efeitos podem também ser
nulos, quando existe uma "mera substituição" dos empregos existentes por novos,
havendo como que uma regeneração do fenómeno, ou podem mesmo ser negativos
porque os produtos e serviços, e, muitas vezes, os modelos de negócio mais
inovadores, implicam maior risco, e, por isso, uma probabilidade maior de
falhar do que os existentes. Por outro lado, os novos negócios durante o seu
período de arranque estão no seu lado negativo até à obtenção de retorno do
investimento e das necessárias condições de expansão. Podem ainda haver efeitos
indiretos da oferta ou spillovers por parte das novas empresas, produzindo
resultados líquidos negativos no mercado, dependendo da evolução da curva da
procura em determinado setor. Na
realidade, em qualquer das condições anteriormente referidas, a conclusão a
tirar é a de que atividade empreendedora gera valor, uma vez que, no médio e no
longo prazo, promove a criação líquida de emprego, o crescimento económico e
acrescenta benefícios para o cliente e consumidor finais. De facto, o ritmo de
crescimento de emprego nas PME e das startups foi cerca de duas vezes superior
ao das grandes empresas na última década, sendo aquelas responsáveis por cerca
de 85% do total de empregos criados nesse período. Por outro lado, em situações
de recessão económica como a que vivemos atualmente, as PME, estando mais expostas
a choques sistémicos, e as startup, apresentando uma taxa de sobrevivência de
cerca de 50%, contribuem, ainda assim, para o saldo positivo da criação de
emprego. Se é verdade que as economias de escala, os níveis de produtividade e
a maior facilidade de escoamento de produtos pelos canais de distribuição e de
comercialização que as grandes empresas conseguem desenvolver promovem uma
recuperação mais rápida, não é menos que a inovação e o empreendedorismo são
alavanca e o ponto de apoio para a mudança. E o ponto-chave é o enfoque na
dinamização de redes entre startups, PME, grandes empresas e universidades que
promovam modelos de parceria com valor acrescentado e competências
sustentáveis, a partilha da inovação e da transferência de tecnologia, os ganhos
de produtividade ao longo da cadeia de valor e o acréscimo de economias de
escala e de gama. Recentemente, nos Master courses da NOVA School of Business
& Economics, com os seus projetos, os alunos promoveram ganhos de
produtividade e de eficiência, optimizaram processos e aumentaram os níveis da
qualidade dos serviços de empresas tão diferentes como a VW Autoeuropa do setor
automóvel, a PME Opensoft do setor das tecnologias de informação, que esteve em
Silicon Valley, e a INPAR, startup de consultoria de processos de negócio e de
CRM. O desafio
passa por proporcionar o desenvolvimento de conhecimento, de skills e de
atitudes adequados e diferenciadores aos alunos para desenharem e porem em
prática estes Planos de Mudança e de Melhoria Contínua e de Inovação nas
empresas. Por outro lado, reforçar o posicionamento estratégico que o triângulo
escola, aluno, empresa representa hoje em dia no contexto de economia do
conhecimento e da inovação e apoiar a transição do aluno entre a universidade e
o mercado de trabalho, em torno dos desafios atuais, promovendo valor
acrescentado para as empresas que participam no programa. As empresas podem
ainda promover spin offs destes projetos para incubadoras e aceleradores de
negócios como o Startup Lisboa e o seu desenvolvimento e a sua expansão serem
apoiados por este tipo de estruturas. Na Europa, na última década, cerca de 67%
dos 87 milhões de postos de trabalho são PME e as startups contribuíram com
cerca de 17,5 milhões de novos empregos (8,6 milhões líquidos), conforme estudo
recente, enquanto que, nos EUA, mais de 60% da criação de emprego pertence a
empresas com cerca de 5 anos de atividade, o que vem demonstrar a importância
desta alavanca em termos culturais, sociais e económicos para acelerar a
mudança nos mercados globais. * Professor convidado da NOVA School of Business & Economics e membro do Board of Directors
da APBA – Associação Portuguesa de Business Angels ![]() ![]() |