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Agile e Scrum no mercado financeiro

28/01/11, 00:06
José Manuel Capaz Formiga, Software Chief Architect, Indra

Há décadas que a gestão de projectos de informática no mercado financeiro em Portugal é feita da mesma maneira.
Com maior ou menor variação, pouco diferem da gestão tradicional Waterfall: uma análise funcional e de requisitos seguida de um desenho técnico, implementação, testes e produção. Com os resultados pobres que se conhecem. É raro encontrar projectos que tenham terminado no tempo, no custo e com a qualidade pretendida.

Os factores que influenciam estes insucessos são muitos e variados. Mas o principal é a falta de maturidade nas tecnologias, nas ferramentas e nos processos que todos os que trabalhamos na indústria de Engenharia de software utilizamos.

Alguém sabe quais as ferramentas e linguagens de programação que se usavam para desenvolver software há 20 anos atrás? Pois é, não tem nada a ver com o que se utiliza nos dias de hoje! Se há alguns factores cuja instabilidade (leia-se evolução) está longe do fim, há um que tem vindo a evoluir num sentido muito positivo.

Falo do processo de desenvolvimento e das metodologias ágeis que, lentamente, têm vindo a ganhar terreno ao Waterfall. Uma das mais conhecidas e usadas é a metodologia Scrum. Em Portugal e Espanha contam-se já algumas dezenas de projectos que, nos últimos três anos tenho acompanhado e alguns deles ajudado a desenvolver, utilizando a metodologia Scrum como base (sem esquecer os requisitos que são normais numa empresa certificada CMMI, é razoavelmente fácil adaptar as metodologias processuais para incorporar o Scrum).

E os resultados têm sido impressionantes. Principalmente no mercado financeiro com exemplos de grandes clientes e grandes projectos onde o sucesso atingido foi tal, que surpreendeu todos os que ainda não conheciam esta metodologia.

Os resultados em termos de velocidade de execução, qualidade do desenvolvimento têm sido tão bons que recomenda-se esta metodologia para todos os projectos, mas principalmente para aqueles onde é necessário uma produtividade extrema.

No caso das aplicações de negócios de uma grande seguradora europeia, após o início da produção de um grande e complexo projecto de reengenharia esta resolveu adoptar o método também para a fase de manutenção que está em curso.
Efectivamente, a metodologia não apresenta grandes restrições à sua aplicação e pode ser usada desde os projectos mais simples e com poucas pessoas até aos mais complexos e com centenas de pessoas.

A conclusão a que chegamos é que quanto maior é o projecto maiores são os benefícios da metodologia. E o que é preciso para adoptar com sucesso esta metodologia? A experiência diz-nos que não é fácil. Rompe com muitos tabus, destrói preconceitos, formas de pensar e agir com décadas.

A resistência natural do ser humano à mudança faz o resto. Sabia, por exemplo, que nesta metodologia não se usam as tradicionais ferramentas de gestão de projectos?

Não vale a pena ficar assustado. Os resultados que estão a ser obtidos em todo o mundo merecem que se estude e avalie a sua implementação. É impossível continuar a passar ao lado deste fenómeno.
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