Cláudia Ribau, Diretora de Marketing da Heliflex: “A estratégia de internacionalização focaliza-se no crescimento e expansão” ![]() ![]() 31/05/12, 00:40 Esta PME portuguesa especializada no fabrico de tubos e mangueiras conta com 5 filiais no estrangeiro e vende os seus produtos em 39 mercados dos cinco continentes, nos quais faz 53,9% da sua faturação. Durante 37 anos, a Heliflex pertenceu a um grupo multinacional, A.G. Petzetakis S.A. (detentora desde setembro de 1969 a Fevereiro de 2007, de 51% do capital social da Heliflex), pelo que a cultura internacional fez--se logo sentir desde o seu nascimento. As regras de organização dos espaços internacionais impuseram limites à internacionalização da empresa, dado que o grupo detinha fábricas e delegações/parcerias em vários países. Aquando da passagem da Heliflex para capital 100% português (em fevereiro de 2007), a aposta na internacionalização ficou claramente marcada, já que todos os países se tornaram potencialmente recetores dos produtos da Heliflex. Qual foi o caminho escolhido para a internacionalização? A cultura de abertura (com o grupo multinacional) a outros mercados, que não unicamente o mercado doméstico (português), a visão dos então administradores, não só com vista ao crescimento e ao óbvio lucro, bem como a extensão do ciclo de vida dos produtos (em declínio nuns mercados e em outros em crescimento) foram as principais razões que estiveram na origem da internacionalização da Heliflex. A especialização em produtos técnicos, para segmentos específicos que não se encontram facilmente no mercado doméstico, e a sua busca em mercados externos, estiveram também na origem da internacionalização da Heliflex, o que justifica outra razão ainda: a pequenez do mercado doméstico. Onde arrancou o processo? O início da internacionalização da Heliflex, com exceção dos negócios estabelecidos intercompanies, deu-se com Espanha e Marrocos, países mais próximos geograficamente. Logo de seguida os PALOP. Atualmente, a Heliflex atua em vários mercados a nível internacional, nos quatro dos cinco continentes existentes: Europa (França, Holanda, Irlanda, Hungria, Bulgária, Polónia, Roménia, Suíça, Croácia, Eslovénia, Moldávia, Itália, Dinamarca, Finlândia, Chipre, Grécia, Alemanha, Suécia, Espanha, Grã-Bretanha, Portugal), África (Angola, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Marrocos, Argélia, Tunísia, Gana, Maurícias, Senegal), América (Brasil, Chile, Venezuela, Peru) e Ásia (Israel, Rússia, Irão, China), o que perfaz 39 países. Quais são as linhas orientadoras da vossa estratégia? A estratégia de internacionalização da Heliflex focaliza-se no crescimento e expansão, o que passa pela criação de filiais com investimento misto (quer comercial, quer industrial); parcerias com clientes (não com contratos de exclusividade formais, mas com claro respeito por áreas geográficas de exploração comercial); representantes que detém o controlo do canal de distribuição e das especificidades do país, funcionando como comissionistas. Quais são os vossos trunfos enquanto empresa que além de exportadora opera com estrutura física em vários países? A flexibilidade de adaptação, a capacidade produtiva aliada ao saber fazer de mais de 40 anos e as competências técnicas, o que nos permite oferecer ao mercado uma gama alargada de soluções na área dos tubos, mangueiras e sistemas de rega. Desde quando e porque razão figura Moçambique no mapa de internacionalização da Heliflex? Em Moçambique, especificamente, iniciámos a venda dos nossos produtos com clientes que distribuíam os tubos e mangueiras naquela região sem exclusividade, contactos feitos, na sua maioria, através da FACIM (historicamente a Heliflex foi sempre uma das empresas presentes ao longo de todos estes anos nesta feira). Contudo, em agosto de 2009, inauguração formal feita na FACIM, inicia a nossa filial Heliflex Moçambique. A criação desta filial, tal como as restantes, vem reforçar o processo de crescimento e internacionalização da Heliflex em mercados em expansão, sublinhando a qualidade de serviço que a Heliflex quer ver refletida na disponibilidade imediata do produto e proximidade com o cliente e consumidor/utilizador final. A Heliflex Moçambique é de capital 100% português, da Heliflex Tubos e Mangueiras, S.A., com armazém localizado junto do Estádio de Maxaquene, em Machava (zona industrial), Maputo. Moçambique não é, portanto, um mercado recente na Heliflex, mas que se pretende estimular com a filial, que apareceu no ano em que a Heliflex (sede) comemorou o seu 40.º aniversário Em que medida Moçambique é um mercado estratégico para o grupo Heliflex? Moçambique posiciona-se em franco desenvolvimento, sobretudo com um setor agrícola atrativo e um setor da construção em crescimento. Podemos apontar outros atrativos deste país: facilidade na língua, boas relações diplomáticas entre os dois países, não existe muita burocracia, as infraestruturas viárias são razoáveis, a rede de transporte nomeadamente aérea entre as várias capitais das províncias apresenta-se boa, a forte presença da banca portuguesa em Moçambique. O crescimento constante do país e da economia moçambicana, bem como a sensibilidade do mercado cada vez maior a produtos de qualidade constituem os fatores mais marcante e caracterizadores da nossa experiência de internacionalização em Moçambique, refletindo as principais diferenças que notamos face a outros mercados onde operamos. Com uma empresa a atuar diretamente em Moçambique, o que representa este país no volume de faturação da casa mãe Heliflex? Qual é a evolução prevista para 2012? O peso da faturação da Heliflex Moçambique, comparativamente com o volume total de vendas da Heliflex, tem evoluído em média cerca de 2% desde 2007. Relativamente ao volume de vendas para os PALOP, a Heliflex Moçambique posiciona-se com 36% em 2011, sendo que desde 2007 a 2011 tem evoluído em média cerca de 22%. Face ao peso total do volume de exportação da Heliflex, a Helifex Moçambique representou, em 2011, cerca de 6%. Quais são os pontos fortes e os pontos fracos do mercado Moçambicano que vos mereceram maior atenção? Moçambique é um mercado que, apesar de evoluído, ainda tem muitas potencialidades a explorar. Apesar de ainda dar muita importância ao fator preço, já se começa a verificar a tendência para valorizar os produtos de qualidade em detrimento do preço. O facto de estarmos presentes fisicamente naquele mercado dá-nos a hipótese de responder com um serviço presencial, também ele valorizado e rápido, uma vez que temos, em Moçambique, disponível toda a nossa gama de produtos (em armazém). Quais são as perspetivas de desenvolvimento do vosso negócio em Moçambique? Em termos de perspetiva, aevolução do nosso negócio no mercado moçambicano passa por um acompanhamento, consolidação, crescimento, conquista de novos clientes e introdução de novos produtos são em termos genéricos a nossa postura presente e futura. Este investimento serve apenas Moçambique ou funciona como rampa de lançamento para algum país vizinho? Neste momento, apenas serve o mercado moçambicano. Aliás, a África do Sul é considerado um país que representa uma forte concorrência em Moçambique. BI Heliflex Tubos e Mangueiras, S.A. (sede: Portugal) Constituição: 1 de setembro de 1969 Faturação em 2011: cerca de 11 700 000,00€ Faturação no estrangeiro: cerca de 53,9% do valor total de facturação (em 2011) N.º de empregados (média em 2011 - Heliflex sede): 110 Filiais: Heliflex Maroc, Heliflex Mozambique, Heliflex Angola, Heliflex Brasil, Heliflex Sud America Site: www.heliflex.pt ![]() ![]() |