| true- Quinta-Feira 24 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
 27/10/11, 00:12 Filipe Castro Soeiro, professor da NOVA School of Business Economics, mmbro do Board of Directors da APBA A competitividade, o crescimento económico e a internacionalização são o novo desígnio de Portugal comparável outrora às Descobertas expansionistas! Esta tem de ser a visão de esperança e o objectivo claro para Portugal para os próximos 5 anos, mas é necessário contextualizar e espelhar esta perspectiva de crescimento e de expansão do País num projecto em que todo o povo português participe à escala nacional, regional e local.
A diplomacia económica, medidas de apoio à internacionalização para as mais de 98% de PME portuguesas, a captação de investimento estrangeiro (FDI), o enfoque na transferência de tecnologia para o mercado simples e desburocratizada, a aceleração e o crescimento rápido de novos negócios centrados nos sectores-chave onde Portugal é naturalmente competitivo, ou pode sê-lo, são linhas de orientação absolutamente prioritárias para os próximos 5 a 10 anos. Não é possível, nem é aceitável, não apostar no crescimento económico.
Obviamente que, no curto prazo, temos de centrar-nos na direcção da resolução do problema da dívida, que cresceu e acumulou de forma significativa nos últimos anos e que é preciso resolver! Há cerca de 15 anos, a dívida do Estado era de 55% do PIB e, em 2010, atingiu os 230%. Os portugueses viveram acima das suas possibilidades e o sector privado atingiu 80% do total da dívida, cabendo o remanescente ao Estado, que não tinha, nem tem, nível de riqueza necessário para promover as políticas sociais do modo como promoveu, endividando-se ainda mais.
A despesa para com os serviços do Estado e a relação desta com o nível da qualidade dos mesmos não foi a melhor. Não existe, pois, correspondência directa entre o que os portugueses pagam pelos serviços de justiça, pelos serviços de saúde, de transportes públicos, de educação, de criação de empresas ou de protecção de inovação ou propriedade intelectual, para citar apenas alguns exemplos, e a qualidade e a simplificação que seria de esperar nesses serviços. Gastou-se muito acima das possibilidades e gastou-se mal! Portugal tem uma das maiores dívidas externas per capita do mundo. É preciso corrigir isto com sacrifício e com equidade fiscal (fundamental!), as metas terão de ser realistas e, se eventualmente ajustadas, apenas em função dos impactos e dos resultados atingidos. Toda a reforma do Estado e da Administração Pública com impacto na receita e na despesa deve fazer parte desse Plano.
A defesa e a implementação estrita do OE 2012, descontextualizada de uma agenda política e económica de medidas que promovam o crescimento económico, a competitividade, o emprego e a internacionalização, corre o risco de ser redutora e de não trazer nem o equilíbrio prático às contas, nem o alcance de que o País e os portugueses precisam para desenvolver a atitude necessária para vencer o desafio.
O efeito de economia de rede, a motivação e captação de talentos a aceleração e crescimento de novos negócios de elevado nível tecnológico e a reconversão de outros já existentes são essenciais para a competitividade e para a criação de emprego.
Para isso, é necessário incentivar a inovação nas PME e lançar as centenas de projectos inovadores e de elevado valor tecnológico que saem das universidades e dos institutos politécnicos, rentabilizando simultaneamente os seus recursos, nomeadamente laboratórios e capacidade de investigação e inovação aplicadas que sobram e estão disponíveis, reduzir custos fixos, fazer transferência de capacidades e de competências de umas entidades para outras, e focar os benefícios e o retorno dos investimentos dos projectos, quer numa óptica regional, através da criação de novos postos de trabalho, quer numa perspectiva internacional, por via das exportações. É necessária a implementação de políticas integradas sobre a protecção dos DPI (Direitos de Propriedade Intelectual) e sobre spin-offs de universidades para o mercado (comercialização de inovação). Portugal tem menos de metade dos recursos afectos a essas áreas de valor acrescentado quando comparado com a média da União Europeia (oportunidade para criar emprego!) e não existe articulação entre entidades, nem foco local, ou regional.
Mais inovação terá de significar menos impostos para as empresas! Outras áreas, como os "business angels" e o capital de risco, terão de reforçar a sua profissionalização, o seu trabalho em rede ao nível nacional e internacional e o seu posicionamento no mercado, devendo ser potenciado o funcionamento ecossistemático, como acontece em Silicon Valley, por exemplo. Só assim será possível reforçar a cultura empreendedora em Portugal. É preciso que, em toda a cadeia, haja criação de valor e se eliminem todos os custos supérfluos e as sobreposições!
Apostar no empreendedorismo qualificado e no empreendedorismo tecnológico, em sectores como o mar e as pescas, como o turismo, como o vestuário, como o calçado, como os vinhos, o "agrotech", as "smart grids", a energia e as telecomunicações, os sistemas digitais, a biotecnologia, as neurociências, a educação, entre outros, permitirá aumento de competitividade e de criação de emprego.
Portugal pode gerar mais de 300 mil empregos nos próximos anos, mas tem de apontar às áreas em que é competitivo com modelos de inovação aberta e crescimento rápido, "simplexar" e agilizar processos, aumentar a transparência e a flexibilização de modelos de controlo contabilístico e jurídico-legal para captar investimento estrangeiro e apoiar, de forma integrada, o empreendedorismo.
Inovar também é tornar mais competitivos os modelos actuais de design e criação de marcas, de negociação, de compra e distribuição e de acesso aos clientes e aos fornecedores, possibilitando aumentos de margem na cadeia de valor e crescimento mais rápidos no mercado. Esta é a oportunidade que Portugal não pode desperdiçar.
  1320 Visualizações
NEWSLETTER
Receba as últimas notícias no seu email!
Para personalizar a sua newsletter
clique aqui.
Não foi seleccionado nenhum parâmetro para a pesquisa. | |