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“Ganhar mais competitividade é o objetivo que temos de alcançar”
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26/01/12, 00:50
Por Almerinda Romeira (Texto) e Victor Machado (Fotos)

A presidente da NERSANT evidencia as dificuldades de financiamento sentidas pelas empresas e elogia a reação muito positiva ao desafio das exportações por parte das firmas da região. Nesta entrevista ao OJE, Salomé Rafael vinca ainda o apoio dado ao empreendedorismo e a aposta na formação dos empresários por parte da Associação a que preside.


Como presidente da NERSANT - Associação Empresarial da Região de Santarém, o que mais a preocupa nestes tempos de crise?
A maior preocupação da NERSANT e de todos os nossos empresários são as dificuldades no financiamento. A situação é de tal forma grave que, se este problema não for rapidamente resolvido, centenas de empresas  fecharão as suas portas, lançando mais pessoas para o desemprego. Na maioria dos casos, são empresas viáveis, com potencial de crescimento, mas que, se não conseguirem resolver os seus problemas de tesouraria, não terão condições para funcionar. Depois, há um conjunto de outros problemas, como os custos energéticos, a excessiva carga fiscal, a morosidade da justiça e da administração local e central, o atraso no pagamento das dívidas por parte dos fornecedores às empresas, entre outras. Recentemente, o Conselho Geral da NERSANT aprovou um documento onde constam as nossas preocupações mas, acima de tudo, as nossas propostas para a revitalização da economia portuguesa. Já demos a conhecer este documento ao Sr. Secretário de Estado da Economia, pelo que as propostas estão já a ser analisadas.

Como avalia os níveis de formação dos empresários da região? Que contributo pode a NERSANT dar para os melhorar?
A NERSANT tem tido uma intervenção muito positiva nesta matéria, desenvolvendo, desde há alguns anos, programas de formação e consultoria para empresários. O programa em que estamos presentemente a trabalhar destina-se a gestores e responsáveis de Micro, Pequenas e Médias Empresas. Neste momento, foram já abrangidas por este tipo de formação 346 empresas, mais de 10 mil formandos e ministradas 42 505 horas de formação.

Que papel desempenha a NERSANT na criação de empresas na região? Que apoios dá às empresas para que estas possam direccionar a sua ação?
O apoio ao empreendedorismo tem sido uma das preocupações estratégicas da Associação desde há mais de 10 anos. Desde essa altura, já apoiámos a criação de mais de 120 empresas na região. Temos desenvolvido vários programas de apoio à criação de novas empresas, como o Capital Local com finalidade social, dirigido a públicos mais desfavorecidos; passando pelo empreendedorismo feminino e, mais recentemente, no apoio à criação de empresas por jovens, através do ApoiarMicro. Este projecto tem como objetivo esclarecer e acompanhar os jovens empreendedores que desejam criar a sua própria empresa, acompanhando-os ao longo de todo o processo até ao primeiro ano de funcionamento da empresa. É um projeto muito gratificante, e que funciona como um estímulo importante para a renovação e para o desenvolvimento do tecido empresarial da região do Ribatejo.

Que atenção têm dedicado aos mais novos?
A Associação tem procurado promover o empreendedorismo entre os mais jovens e, desde 2008, que desenvolvemos projetos nesse sentido, quer com as escolas do ensino básico, quer com os alunos do secundário. Ao todo, envolvemos já, neste projeto, mais de 1000 jovens, 31 escolas e 77 ideias de negócio. Este ano letivo, para além de Lezíria do Tejo e Médio Tejo, alargámos a nossa intervenção à região do Pinhal Interior Sul, em parceria com a respectiva comunidade intermunicipal.

O Governo anunciou, este mês, 250 milhões de euros destinados a operações de micro e pequenas empresas, no âmbito de uma nova linha de crédito. O montante responde às necessidades?
É óbvio que esta verba é manifestamente insuficiente. Para dar uma resposta a todas as necessidades, seria necessária uma verba muito mais elevada, mas, face à conjuntura atual, há que registar esta medida como positiva, desde que seja implementada de imediato.     

Que papel cabe às associações empresariais no desenvolvimento do território onde estão inseridas?
A NERSANT assumiu, há muito, um papel de liderança na dinamização, mobilização e implementação de projectos estruturantes e inovadores para a região do Ribatejo, funcionando como elemento agregador das várias entidades e vontades envolvidas nestes domínios, como os municípios, diversos organismos públicos, empresas, etc. Nos últimos anos, a NERSANT tem liderado alguns dos projectos estruturantes para toda esta região em diversas áreas, como a criação de cinco parques de Negócios/Áreas de Localização Empresarial; Criação do Tecnopólo do Vale do Tejo - Tagusvalley; constituição do Fundo de Capital Local com Finalidade Social; dinamização da criação da TAGUSGÁS - Empresa de Gás do Vale do Tejo, S.A.; elaboração do Plano de Inovação e Competitividade para a Região de Santarém; Constituição da Sociedade de Garantia Mútua - GARVAL, Sociedade de Garantia Mútua, entre muitos outros.

A redução dos salários pode ser um caminho a seguir também no setor privado? No caso concreto da região, uma eventual redução permitiria às empresas ganhar competitividade?
Aumentar a competitividade é, sem dúvida, o objetivo a alcançar. No entanto, existirão sempre formas diferentes de concretizá-lo. Neste momento, estamos todos muito conscientes de que temos de ser mais produtivos e de trabalhar mais e melhor.

Como se posicionam as PME ribatejanas no desafio da exportação? Que iniciativas promove a NERSANT com vista à criação de oportunidades de negócio no estrangeiro?
As PME ribatejanas têm reagido de forma muito positiva ao desafio da exportação o que se tem traduzido no aumento do volume de exportações e da melhoria da taxa de cobertura a que temos assistido nos últimos anos na Região. A NERSANT tem desenvolvido um conjunto muito significativo de iniciativas que permitam a criação e identificação de oportunidades de negócio no estrangeiro e o abrir de portas para a internacionalização das empresas.
Desde 2009 até ao final de 2011, a NERSANT realizou 13 missões empresariais em diversos mercados como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Tunísia e Marrocos; participou em seis feiras no estrangeiro e promoveu a vinda à região de quatro delegações de empresários/importadores dos mercados de Angola, Brasil, entre outros. Estas iniciativas abrangeram já 251 empresas da região e originaram diversos negócios, que se consubstanciaram na realização de exportações e na instalação de empresas nos mercados referidos.

Este ano, o que está previsto nesse sentido?
Para 2012, a NERSANT está já a implementar várias acções direccionadas para os mercados de Angola, Brasil, Cabo Verde, África do Sul e Moçambique, entre outros.

Como é a relação atualmente existente entre as universidades e politécnicos e as empresas da região?
A NERSANT, desde o primeiro momento, manifestou, publicamente e junto das instituições, a necessidade de articulação da oferta formativa com as necessidades das empresas, o que consideramos ser uma mais-valia para ambas as partes. Sentimos que esta colaboração depende da liderança de cada uma das instituições. Em alguns casos, nota-se uma grande preocupação, embora tardia, na nossa opinião; noutros, coisas processam-se de forma mais lenta.
 

Que contributo podem dar as associações empresariais à reestruturação e renovação do tecido empresarial e ao aumento da competitividade da economia portuguesa?
A NERSANT tem dedicado especial atenção a esta questão, não só através do desenvolvimento de acções de consultoria e formação para empresários, mas também através do desenvolvimento de iniciativas em áreas que permitem o reforço das competências e da competitividade das PME, nomeadamente na Certificação da qualidade; na dinamização de redes de cooperação empresarial; no apoio a processos de fusão e aquisição e acesso a novos mecanismos de financiamento; nas Tecnologias de Informação e Comunicação, na promoção da eficiência energética; no apoio a processos de Certificação em investigação e desenvolvimento, só para citar alguns exemplos.

Como prevê a sobrevivência das associações empresariais quando terminar o QREN?
A NERSANT está perfeitamente consciente de que o final do QREN trará, sem dúvida, mudanças naquele que era, até aqui, o funcionamento habitual das associações empresariais. Por esse motivo, desde há algum tempo que a NERSANT tem vindo a preparar-se para isso, desenvolvendo um conjunto de projetos e serviços para as empresas que permitam a obtenção de receitas próprias, garantindo, dessa forma, a sustentabilidade da associação.
   

Galardão Empresa do Ano

Em conjunto com o semanário "O Mirante", a NERSANT realiza, anualmente, a iniciativa Galardão Empresa do Ano, que premeia os melhores empresários e empresas da região.



Financiamento

A criação de uma nova linha de crédito PME Investe "adaptada às novas condições de mercado, aos constrangimentos da banca nacional em termos de liquidez e, sobretudo, às necessidades das PME beneficiárias", nomeadamente através "da criação de dotações para pagamento de dívidas a fornecedores correntes para apoiar investimento directo no estrangeiro, ou ainda para consolidação do passivo bancário das empresas", encabeçava a lista de medidas no âmbito do financiamento que a NERSANT enviou ao Governo, visando o desenvolvimento da economia nacional.

A criação de um fundo de obrigações participantes gerido pela Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua e pelo IAPMEI e que "permita reforçar a estrutura de capitais permanentes das empresas" é outra proposta desta Associação empresarial. A lista de medidas aprovadas pelo Conselho Geral da NERSANT e entregue ao Governo contempla igualmente a introdução de mecanismos inovadores de financiamento às empresas, nomeadamente através de "um mecanismo de apoio à titularização de créditos de PME", bem como a aceleração da "reorganização do sistema público de capital de risco, assegurando a sua efetiva intervenção no tecido das PME com potencial de inovação e criação de emprego, direcionando a utilização dos fundos de capital de risco apoiados pelo programa Compete para cobrir necessidades efetivas das empresas.

Segundo a NERSANT, parte do fundo de 12 mil milhões de euros destinados à capitalização dos bancos deverá servir para "reforçar o Fundo de Contragarantia Mútua, de modo a permitir o envolvimento das Sociedades de Garantia Mútua em novas linhas de financiamento exclusivamente para PME e que não pesem nos rácios de capital da banca", bem como para o pagamento de dívidas das empresas municipais à banca e de dívidas das autarquias aos seus fornecedores, "de forma a animar a economia".

A Associação empresarial defende igualmente a flexibilização dos calendários intercalares para a "desalavancagem" do sistema financeiro português, a qual tem estado a ser efectuada, fundamentalmente, segundo sublinha, através da redução do volume de crédito concedido às empresas. No âmbito das linhas PME Investe, o Governo deve, segundo a NERSANT, assegurar que os créditos garantidos pelas Sociedades de Garantia Mútua "voltem a ser ponderados em 20% para efeitos do cálculo de requisitos dos fundos próprios das instituições de crédito, aumentando a disponibilidade destas para concessão de crédito às PME".

A NERSANT considera ainda que a dotação do FIEAE (Fundo imobiliário especial de apoio às empresas) deve ser reforçada, como instrumento complementar ao financiamento de empresas com projectos de expansão e, ou reestruturação/consolidação em curso. Além da questão do financiamento, as propostas da NERSANT privilegiaram outros temas, a saber: QREN, incremento da competitividade das empresas, apoios à internacionalização e a necessidade de proceder a reformas estruturais.  


Iniciativas para 2012: do Agrocluster ao Club NERSANT

O lançamento e dinamização do Club NERSANT (clubners@nt), portal de negócios que permite a realização de negócios de proximidade, é uma das grandes apostas da NERSANT para 2012, a par da dinamização de um Agrocluster regional. O portal tem como principal objetivo apoiar as empresas associadas no que diz respeito à sua promoção, venda de produtos e serviços e partilha de informação.

No âmbito da cooperação empresarial (eixo III dos objetivos de gestão para 2012), está igualmente prevista a criação de uma marca comum - marca Ribatejo -, a realização de um evento internacional de promoção turística da região e a implementação de uma iniciativa de animação virtual permanente do castelo de Almourol. Com 1739 associados, dos quais mais de metade são ativos, a NERSANT abrange 21 concelhos do distrito de Santarém.

Sedeada em Torres Novas, conta com cinco núcleos regionais: Santarém, Benavente, Ourém, Cartaxo e Abrantes. A heterogeneidade da atividade empresarial num distrito com 6747 km2 (3.º maior distrito português) e uma população residente que ronda os 465 mil habitantes, é apontada como o principal amortecedor do desemprego e fator de coesão na região.


Missão empresarial a Moçambique

A NERSANT está a organizar uma missão empresarial a Moçambique,  que se realizará entre 5 e 12 de março. A visita a Maputo e Beira tem como objetivo fomentar a internacionalização das empresas da região para este mercado. No programa, estão previstas reuniões bilaterais entre os empresários portugueses e empresários moçambicanos, reuniões institucionais e reuniões de apresentação das oportunidades de negócio deste mercado, conduzidas por organismos empresariais e financeiros locais. A missão empresarial surge na sequência de anteriores missões realizadas pela NERSANT a este país, onde, no balanço feito pela Associação, as empresas participantes conseguiram obter bons resultados práticos ao nível da concretização de exportações, do estabelecimento de parcerias e da constituição de empresas em Moçambique.


A aposta na formação

A NERSANT está a dinamizar, em todo o distrito de Santarém, o projecto de consultoria e formação para empresários e gestores de Micro e de Pequenas e Médias Empresas (PME) da região, financiado a 100%. Uma das principais vantagens para as empresas é a possibilidade de terem à disposição um consultor sénior que auxiliará o empresário na elaboração do diagnóstico da empresa, a definição do plano de ação e a implementação do mesmo. No total, são já 52 empresas envolvidas neste projecto. A Associação empreenderá, ao longo do ano, igualmente ações no âmbito do Move PME - projecto de Consultoria e Formação para Empresários e Gestores e Trabalhadores Micro, Pequenas e Médias Empresas e ações  do curso de formação de formadores, a realizar em todo o distrito.   

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