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Portugal abre incubadora em Silicon Valley

28/04/11, 00:08
OJE

Tem o patrocínio da AIECP e pretende ser uma rampa de lançamento para a internacionalização das empresas portuguesas. Durante três meses, a troco de 6.500 euros, oferece mentoring, apoio comercial e apresentação a venture capitalists.


 

O pavilhão que as empresas portuguesas poderão usar na incubadora Plug and Play Tech Center, em Silicon Valley, Califórnia, leva o nome de Innovative Portugal. A ideia de o fazer nascer surgiu há cerca de um ano no decurso de uma visita de tecnológicas portuguesas aos Estados Unidos. Carlos Oliveira, managing partner da consultora Business Leadership Consulting, fez a ligação com o centro de inovação norte-americano.

Em Silicon Valley estão as maiores empresas de venture capital e as melhores instituições de talento e de inovação. Carlos Oliveira explica a indispensabilidade de um lugar como este para quem quer perseguir uma estratégia de desenvolvimento: "Se uma empresa, se um País quer, de facto, crescer uma das formas de o fazer é ligando-se a um destes ecossistemas sofisticados".

Na ACL (Associação Comercial de Lisboa), onde participou no seminário sobre "Oportunidades de negócio nos EUA", promovido pela Câmara de Comércio Americana em Portugal, o gestor referiu que as grandes empresas japonesas e alemãs estão presentes em Silicon Valley com incubadoras e o mesmo acontece com países como a Austria, o México, a Austrália, Inglaterra e Singapura. Lá estão também as cidades de Madrid e de Barcelona. Estão lá para beber aquela cultura empresarial.

Depois de salientar que Portugal está numa situação extremamente difícil e precária e que é preciso fazer das nossas grandes empresas, empresas maiores e aproveitar rapidamente o potencial das empresas que o têm, de forma a transformá-las em grandes empresas, o managing partner da Leadership Business Consulting rendeu-se às evidências: "É preciso, mas não temos políticas para isso. O nosso ecossistema é muito limitado".

Se é limitado há que procurar saídas. Como? "Fundamentalmente ligando-nos aos hiperclusters do empreendedorismo", sublinhou.  

Com efeito, no jogo ultra competitivo da economia global, o processo de internacionalização das empresas exige a construção de relacionamentos chave e o funcionamento em rede de forma a tornar os negócios sustentáveis. "Os super- clusters da inovação e empreendedorismo podem ser aceleradores importantes", salientou Carlos Oliveira.

A incubação de start-ups e aceleração de negócios durante um período de três ou seis meses, no pavilhão português do Plug & Play Tech Center é uma das vertentes do Programa GSI Accelerators, que assegura também mentoring (disponibilização de um consultor com vista à obtenção de suporte estratégico e comercial); training (participação em seminários e sessões de formação organizados pela LBC e pela AICEP) e networking (contacto com business angels, venture capitalists, universidades, grandes empresas e parceiros).

O GSI tem como objectivo: acelerar o crescimento das empresas e da sua globalização, através deste programa estruturado e costumizado.

Participar em missões comerciais é importante. "Temos que construir presenças. Temos de içar âncoras", vincou Carlos Oliveira.

Silicon Valley é claramente atractiva nas áreas das energias renováveis e de clean tech, TI, software, energias renováveis, internet, media e biotecnologia.

O seminário da ACL deu igualmente a conhecer a Pensilvânia, também conhecido como o "estado da inovação", bem como dois casos de internacionalização bem sucedida, o da construtora Soares da Costa, que se há 17 anos se instalou na Florida e que, neste momento, está a expandir-se para a Georgia e o Texas e o do Melhor Bolo de Chocolate do Mundo.

 Depois de abrir uma loja em Manhattan, segue-se Brooklyn, onde irá também funcionar a fábrica, e, até final deste ano, o Melhor Bolo de Chocolate do Mundo vai abrir nova loja e fábrica em Washington.

O presidente executivo da construtora, Pedro Gonçalves, explicou como a empresa está a fazer para aproveitar o Plano Obama de infra-estruturas, tendo referido que as necessidades de investimento dos EUA orçam os 225 mil milhões de dólares por ano durante os próximos 50 anos. 

A visão macroeconómica do mercado americano e das relações entre esta economia e Portugal foi feita pela Chief Economist do Banco BPI, Cristina Casalinho.

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