Portugal e as Redes de Cluster Internacionais no desafio do Empreendedorismo à escala global ![]() ![]() 24/11/11, 00:05 O objectivo de dinamizar Portugal como uma nação empreendedora e competitiva à escala global exige a compreensão clara do contexto em que o desafio se insere e o foco nas políticas e nas medidas que precisamos de implementar, mas é preciso uma tomada de consciência colectiva e uma acção mobilizadora em torno da qual todo o povo português participe! O objectivo de dinamizar Portugal como uma nação empreendedora e competitiva à escala global exige a compreensão clara do contexto em que o desafio se insere e o foco nas políticas e nas medidas que precisamos de implementar, mas é preciso uma tomada de consciência colectiva e uma acção mobilizadora em torno da qual todo o povo português participe! 1. Portugal e a Europa Temos às costas um défice orçamental e um défice de crescimento económico muito significativos que foram criados por nós e que estão, agora, por responsabilidade nossa, ancorados à crise na União Europeia, e é por essa razão que temos de ser avaliados e monitorizados pela troika. Com a troika vêm também "programas de fundos estruturais" e "reformas estruturantes" que precisamos de implementar para desenvolvermos e consolidarmos uma economia knowledge based. Temos de reduzir o défice orçamental, aumentar a produtividade, criar crescimento económico e aumentar as exportações à custa da inovação e da qualidade de produtos e de serviços, e temos a oportunidade de o fazer! Mas, nesta Europa, onde seria pior sair do que ficar, temos a crise da união monetária e financeira, a crise de valores, a crise de estratégia e a crise de liderança, claro está. Porquê? Em primeiro lugar, a ausência de referenciais, de visão e de estratégia e de liderança comum ao nível europeu atira cada um dos Estados-membros para um vazio de cidadania europeia. Em segundo, existe, actualmente, um sentido de perda de soberania e de representatividade, e um sentido de perda de democracia e de liberdade. Em terceiro lugar, existe um sentido de perda de história, de identidade e de cultura ao nível dos Estados- -membros. Por outro lado, existe um fenómeno de compressão de identidade e de densidade histórica de 900 para apenas 35 anos, com a adesão à comunidade em 1986, e com um projecto europeu deficitário de visão e liderança política, estas foram substituídas, evidentemente, pela pressão desajustada dos mercados. A crise levou a modelos de governance inadequados, organismos e estruturas decisionais que se regem por mecanismos e processos ultrapassados. Não se discute a adequação e a optimização da eficácia e da eficiência desses órgãos, como o BCE, o FMI e o Parlamento Europeu, nem se faz benchmark com o Banco Mundial ou com a Fed americana. Este facto tem também impacto negativo nas empresas e nos seus modelos de gestão e de desenvolvimento. 2. Os países Asiáticos Enquanto a Europa se concentra, cada vez mais, num contexto fechado sobre si mesma, marcado a duas velocidades, perde a sua visão e o seu posicionamento competitivo ao nível global e Portugal vai a reboque. José Roquette, embaixador da Semana Global do Empreendedorismo sublinhava, na sessão de abertura, a prioridade desta questão estratégica para Portugal e para Europa, referindo-se à cimeira anual da APEC - Cooperação Económica da Ásia e do Pacífico entre os passados 11 e 14 de Novembro em Honolulu, Havai. Os 21 países membros do Cimeira da APEC, incluindo os Estados Unidos, China, Japão e Rússia, acordaram expandir o seu comércio com medidas concretas para reduzir as tarifas e eliminar regulações perante a incerteza sobre a economia global. O "novo" paradigma, caracterizado por desequilíbrios demográficos e por modelos de gestão e de valorização de recursos, é bem evidenciado pela estatística dos números que caracterizam a relação de forças entre o ocidente e o oriente. Os 21 países da APEC são responsáveis por 50% da população mundial e cerca de 60% do PIB mundial. O crescimento económico previsto para esses países determinará que sete deles estarão no top 10 das economias mais desenvolvidas em 2025. Do ponto de vista da valorização de recursos humanos e das competências, os novos modelos de referência e de avaliação atiram para o top 10 mundial universidades asiáticas. É, afinal, a Europa que está a ficar para trás! 3. Portugal e as Redes de Clusters Internacionais Neste quadro, não sobram dúvidas de que Portugal tem de apostar na sua diplomacia económica e as medidas de apoio à internacionalização das suas empresas e start ups em torno da potenciação e do reforço ao acesso de redes internacionais de conhecimento e de inovação de excelência, que representem novas oportunidades em ecossistemas de excelência, o acessos novos mercados altamente competitivos e inovadores e a captação de investimento estrangeiro. Nesta perspectiva, o exemplo de Silicon Valley foi um dos mais referenciados pelo Presidente da República e pelo secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação na Semana Global do Empreendedorismo e, mais concretamente, na iniciativa Silicon Valley comes to Lisbon, que apoiaram institucionalmente. O efeito de economia de rede, a motivação e captação de talentos a aceleração e crescimento de novos negócios de elevado nível tecnológico e a reconversão de outros já existentes é essencial para a competitividade, para a inovação e para a criação de emprego do nosso país. Portugal tem de lançar e reforçar redes e processos de aprendizagem em ambiente de mercado aberto e competitivo nestes ecossistemas internacionais centrados em clusters de excelência como o de Silicon Valley, para os sectores das tecnologias de informação, da biotecnologia e das energias renováveis, como o de Zhongda, na China, para os sectores das confecções e do têxtil, ou como o de Singapura, para as ciências biomédicas ou para o mar. Tem também de desenvolver uma estratégia integrada para os mercados do Brasil, de Angola e de Macau. Só assim poderá melhorar em muito as suas best practices e ser mais competitivo nos seus processos de internacionalização e atractivo na captação de financiamento e de investimento. *Membro do Board of Directors da APBA - Associação Portuguesa de Business Angels e da SGE - Semana Global do Empreendedorismo ![]() ![]() |