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Missão Oresund
Tecnológicas portuguesas semeiam negócios em Oresund
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26/02/11, 16:59
Por Almerinda Romeira, em Malmö, Suécia

Quatro empresas suecas estão em negociações com PME portuguesas para a criação de parcerias na área das tecnologias de informação. Este é o resultado mais visível da missão empresarial da Portic à Sillicon Valley europeia.

Símbolo da requalificação urbana do porto de Malmö, o Turning Torso é, nos seus 190 metros de altura e arquitectura futurista, como que o farol que guia toda a região circundante rumo à economia do conhecimento.


A região é Oresund. Ergue-se em volta do estreito com o mesmo nome e compreende, de um lado, a área metropolitana de Copenhaga, capital da Dinamarca, e, do outro, a província da Scania, no Sul da Suécia, ligadas, desde a viragem do milénio, por uma ponte.


Com 3,6 milhões de habitantes, um volume de negócios anual de 23,4 mil milhões de euros, sete parques de tecnologia e mais de 10 000 empresas do sector de tecnologias da informação (TI), Oresund, lugar de nascimento, entre muitos outros, do Bluetooth e da Inkjet, tem a maior concentração de tecnologias da Informação, comunicação e electrónica (TICE) de toda a Escandinávia, empregando, só em TI, 100 000 pessoas (o cluster Tice.pt em Portugal tem cerca de 14 000).


Foi nesta bem sucedida região económica, fervilhante de ideias, inovação e tecnologia, ávida de negócios, investimento e parcerias que, na primeira semana de Fevereiro, aportou uma missão empresarial portuguesa. Organizada pela Portic - Think Thank for Portuguese Internationalization, com o apoio da Inova-Ria e da IPN Incubadora (Instituto Pedro Nunes, de Coimbra), a missão integrou uma dezena de tecnológicas nacionais, entre as quais empresas conhecidas como a Reditus, Roff, Glintt, Ambisig, Ipbrick, Maisis e Exatronic e as start ups: FeedZai, vencedora do BES Inovação 2009, Strongstep e Silicongate.


Adquirir conhecimento sobre as valências das TICE na Escandinávia e alavancar novas plataformas de negócio era o objectivo comum.


Depois de apresentarem os seus negócios e terem especificado ao que iam, num seminário que decorreu no complexo da Oresund IT, parceira da Portic e anfitriã desta iniciativa em Malmö, os portugueses multiplicaram-se em contactos de social networking no triângulo: Malmö, Lund (Suécia) e Copenhaga (Dinamarca), visando a captação de negócios. Foram dois dias de reuniões bilaterais quase em ritmo non-stop.


"A avaliar pela recepção escandinava (superior em número e qualidade ao que esperávamos), as TIC portuguesas têm um alto rácio de diferenciação nos produtos e serviços tecnológicos inovadores que desenvolvem", afirmou ao PME NEWS o presidente da Portic, Pedro Castro Henriques, profundo conhecedor do mercado escandinavo.


Foi, de resto, em Lund, na multinacional Q-Labs da Ericsson, que este Engenheiro Informático (hoje Mestre), saído da primeira fornada da Licenciatura em Engenharia Informática e de Computação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) teve o seu primeiro emprego. A partir de Lund trabalhou, durante vários anos, na área das telecomunicações na melhoria dos processos de software com projectos em oito países europeus.


A sua quase obsessão pela qualidade na engenharia de software e a paixão pela inovação levaram-no, em 2010, juntamente com dois professores da FEUP e dois colegas estabelecidos da indústria (ex-alunos da FEUP) a formar uma equipa altamente especializada nesta área, co-fundando a Strongstep - Innovation in Software Quality, empresa que utiliza as melhores práticas mundiais na engenharia de software, usando, entre outros, o modelo CMMI do SEI CMU (Software Engineering Institute do Carnegie Mellon University - EUA) para apoiar os seus clientes.


Parceira oficial e estratégica do SEI (principal referência mundial na Engenharia de Software), a Strongstep trabalha para ajudar as organizações portuguesas na melhoria dos seus processos de desenvolvimento e serviços de software. Aos mercados nórdicos, Pedro Castro Henriques, líder da missão da Portic, levou também o "know how e experiência" da Strongstep "capitalizados com casos de sucesso de empresas nacionais, para competirem na liga dos Campeões".


 "As empresas, para se internacionalizarem, não podem ser apenas as melhores do seu ‘bairro' ou do seu país, têm de competir a nível continental e a nível mundial", salienta Pedro Castro Henriques, para quem o mercado Escandinavo é a "test bed" perfeita: "Pode abrir portas para todo mundo através das suas multinacionais à escala global".


A forma como percepciona o mundo (global e plano) e a sua visão de futuro para Portugal impulsionaram-no a lançar a Portic em 2010. "Pretendemos abrir as portas certas às empresas portuguesas que demonstrem ter valor, ADN inovador e capacidade de adaptarem a sua oferta aos mercados externos, potenciando, assim, as suas exportações", vinca.

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