Quatro empresas suecas estão em negociações com PME portuguesas para a criação de parcerias na área das tecnologias de informação. Este é o resultado mais visível da missão empresarial da Portic à Sillicon Valley europeia.
Símbolo da requalificação urbana do porto de Malmö, o Turning Torso é, nos seus 190 metros de altura e arquitectura futurista, como que o farol que guia toda a região circundante rumo à economia do conhecimento.
A região é Oresund. Ergue-se em volta do estreito com o mesmo nome e compreende, de um lado, a área metropolitana de Copenhaga, capital da Dinamarca, e, do outro, a província da Scania, no Sul da Suécia, ligadas, desde a viragem do milénio, por uma ponte.
Com 3,6 milhões de habitantes, um volume de negócios anual de 23,4 mil milhões de euros, sete parques de tecnologia e mais de 10 000 empresas do sector de tecnologias da informação (TI), Oresund, lugar de nascimento, entre muitos outros, do Bluetooth e da Inkjet, tem a maior concentração de tecnologias da Informação, comunicação e electrónica (TICE) de toda a Escandinávia, empregando, só em TI, 100 000 pessoas (o cluster Tice.pt em Portugal tem cerca de 14 000).
Foi nesta bem sucedida região económica, fervilhante de ideias, inovação e tecnologia, ávida de negócios, investimento e parcerias que, na primeira semana de Fevereiro, aportou uma missão empresarial portuguesa. Organizada pela Portic - Think Thank for Portuguese Internationalization, com o apoio da Inova-Ria e da IPN Incubadora (Instituto Pedro Nunes, de Coimbra), a missão integrou uma dezena de tecnológicas nacionais, entre as quais empresas conhecidas como a Reditus, Roff, Glintt, Ambisig, Ipbrick, Maisis e Exatronic e as start ups: FeedZai, vencedora do BES Inovação 2009, Strongstep e Silicongate.
Adquirir conhecimento sobre as valências das TICE na Escandinávia e alavancar novas plataformas de negócio era o objectivo comum.
Depois de apresentarem os seus negócios e terem especificado ao que iam, num seminário que decorreu no complexo da Oresund IT, parceira da Portic e anfitriã desta iniciativa em Malmö, os portugueses multiplicaram-se em contactos de social networking no triângulo: Malmö, Lund (Suécia) e Copenhaga (Dinamarca), visando a captação de negócios. Foram dois dias de reuniões bilaterais quase em ritmo non-stop.
"A avaliar pela recepção escandinava (superior em número e qualidade ao que esperávamos), as TIC portuguesas têm um alto rácio de diferenciação nos produtos e serviços tecnológicos inovadores que desenvolvem", afirmou ao PME NEWS o presidente da Portic, Pedro Castro Henriques, profundo conhecedor do mercado escandinavo.
Foi, de resto, em Lund, na multinacional Q-Labs da Ericsson, que este Engenheiro Informático (hoje Mestre), saído da primeira fornada da Licenciatura em Engenharia Informática e de Computação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) teve o seu primeiro emprego. A partir de Lund trabalhou, durante vários anos, na área das telecomunicações na melhoria dos processos de software com projectos em oito países europeus.
A sua quase obsessão pela qualidade na engenharia de software e a paixão pela inovação levaram-no, em 2010, juntamente com dois professores da FEUP e dois colegas estabelecidos da indústria (ex-alunos da FEUP) a formar uma equipa altamente especializada nesta área, co-fundando a Strongstep - Innovation in Software Quality, empresa que utiliza as melhores práticas mundiais na engenharia de software, usando, entre outros, o modelo CMMI do SEI CMU (Software Engineering Institute do Carnegie Mellon University - EUA) para apoiar os seus clientes.
Parceira oficial e estratégica do SEI (principal referência mundial na Engenharia de Software), a Strongstep trabalha para ajudar as organizações portuguesas na melhoria dos seus processos de desenvolvimento e serviços de software. Aos mercados nórdicos, Pedro Castro Henriques, líder da missão da Portic, levou também o "know how e experiência" da Strongstep "capitalizados com casos de sucesso de empresas nacionais, para competirem na liga dos Campeões".
"As empresas, para se internacionalizarem, não podem ser apenas as melhores do seu ‘bairro' ou do seu país, têm de competir a nível continental e a nível mundial", salienta Pedro Castro Henriques, para quem o mercado Escandinavo é a "test bed" perfeita: "Pode abrir portas para todo mundo através das suas multinacionais à escala global".
A forma como percepciona o mundo (global e plano) e a sua visão de futuro para Portugal impulsionaram-no a lançar a Portic em 2010. "Pretendemos abrir as portas certas às empresas portuguesas que demonstrem ter valor, ADN inovador e capacidade de adaptarem a sua oferta aos mercados externos, potenciando, assim, as suas exportações", vinca.
Rampa de lançamento
Vasco Ferreira, fundador e CEO da Ambisig, destacou o facto de as empresas que integravam a missão não serem concorrentes entre si o que, por si só, "facilita o muito o bom clima entre os participantes". Relativamente à avaliação que faz dos resultados é expressivo: "Acredito que alguns dos contactos que desenvolvemos têm hipóteses de vir a ser negócio", salientou ao PME NEWS.
Vasco Ferreira, fundador e CEO da Ambisig, destacou o facto de as empresas que integravam a missão não serem concorrentes entre si o que, por si só, "facilita o muito o bom clima entre os participantes". Relativamente à avaliação que faz dos resultados é expressivo: "Acredito que alguns dos contactos que desenvolvemos têm hipóteses de vir a ser negócio", salientou ao PME NEWS.
Esta software house, fundada em 1994, especializada no desenvolvimento de soluções para a administração central e local, mercados financeiros e sector empresarial privado, opera já em Espanha, Angola e Moçambique.
Ao "sofisticado mercado escandinavo", Vasco Ferreira chegou com a dupla perspectiva: "detectar oportunidades de negócio na área das infraestruturas" e prospeccionar a "business partner (parceiro de negócio)" para a Escandinávia, ou para o mercado global.
Não muito diferentes eram os propósitos de Pedro Meira. O Corporate & Business Strategist da Glintt, uma das cinco maiores empresas de TI nacionais com forte presença na área da saúde para a qual desenvolve soluções integradas para hospitais, clínicas e farmácias, foi a Oresund estabelecer contactos com vista a eventuais parcerias na área das Life Sciences.
O gestor anunciou ainda que, além da área da saúde em Portugal, a Glintt é líder no fornecimento de soluções para o sector Ibérico das farmácias, detendo, portanto, "uma forte cultura de internacionalização".
A liberalização do mercado das farmácias é uma oportunidade a ter em conta para o conceito de "Pharmacy-on-a-Box" da Glintt - salientou Pedro Meira, que totalizou sete reuniões bilaterais ao nível universitário e empresarial em Malmö.
Entre as 10 mil empresas de base tecnológica sedeadas na região de Oresund contam-se gigantes como a Sony Ericsson, IKEA, Telia Sonera, Maersk e Seavus. Chegar a elas não está ao alcance de qualquer PME portuguesa, ou do mundo. No entanto, Jorge Lobo e Fernando Bernabé, representando, respectivamente, as áreas de negócio não SAP e SAP do grupo Reditus, tiveram reuniões com os gigantes Sony Ericsson e IKEA.
"São estes os contactos que faziam o objectivo", salientou ao PME NEWS Fernando Bernabé, adiantando que, neste aspecto, a missão "correspondeu perfeitamente às expectativas".
A Reditus reafirma, desta forma, a sua aposta na Península da Escandinávia onde, em Novembro de 2010, abriu a ROFF Nordic, que é liderada por Fernando Bernabé. "Viemos com clientes, vimos oportunidades e um mercado em crescimento, pusemos então a pergunta: porque não fixarmo-nos e tentarmos explorar este mercado?", explicou o jovem gestor, concluindo: "Perto, poderemos ser mais competitivos".
O cluster de Aveiro
Aveiro levou a Oresund a "capacidade de inovação" dos empresários e da sua Universidade, através de uma embaixada de peso, constituída pela Maisis, Exatronic e Inova-Ria.
Pedro Roseiro, presidente da direcção da Inova-Ria, associação que congrega 69 empresas e trabalha tendo em vista consolidar o cluster local das telecomunicações e gerar factores de maior competitividade empresarial que afirmem Aveiro como referência mundial do sector, salientou ao PME NEWS a importância de "estabelecer pontes" e "ter interlocutores" num mercado tão maduro como o escandinavo.
Organismos como a Invest in Skane, Media Evolution e Oresund IT, com os quais teve reuniões de trabalho, são fundamentais para "ajudar as empresas a explorar os mercados".
Pedro Roseiro, que é também gestor da i-zone, SGPS, que já está internacionalizada em Angola, Moçambique e Roménia, onde ganhou recentemente um grande projecto na área dos serviços prisionais, identificou, desde logo, em Oresund uma "carência grande de quadros na área da engenharia". Dito de outra maneira: há aqui também uma oportunidade.
A Maisis nasceu em 1994, em Aveiro, empregando actualmente 80 pessoas. "O knowledge management (a gestão do conhecimento) é a razão porque estamos aqui", declarou Marcos Lopes, referindo-se à terceira mais importante área de negócio da empresa, responsável por 15% da sua facturação.
Com a função de perceber o que estão os escandinavos a fazer nesta área e tomar o pulso ao nível de maturidade do mercado, Marcos foi o embaixador da nova "coqueluche" da Maisis: o oobian que teve em Oresund, por assim dizer, a sua "rampa de lançamento mundial".
Trata-se de um produto de semântica ontológica, de processamento de linguagem natural, que serve o propósito de concentrar informação em documentos não estruturados e relacionar entidades neles presentes.
No final dos diversos matchs em que participou na Sillicon Valley europeia, que é simultaneamente um influente cluster europeu na área dos media, destinatários preferenciais do oobian, este engenheiro de Sistemas com mestrado em Marketing estava visivelmente satisfeito: "A aceitação foi total", salientou ao PME NEWS, adiantando que os seus interlocutores "mostraram interesse em continuar a falar".
Alexandre Ferreira, Project Manager da Exatronic, empresa, fundada em 1995 que concebe, desenvolve, certifica, fabrica e integra produtos electrónicos e soluções integradas em sistemas electrónicos, levou a Oresund, além do "know-how" da Exatronic, o portfolio de um parceiro na área dos moldes e dos plásticos.
O principal objectivo a atingir seria, portanto, o lançamento de negócios com grandes empresas (IKEA, por exemplo), junto das quais a Exatronic pudesse, em conjunto com o seu parceiro, lançar produtos prontos para o mercado de massas. Alexandre Ferreira "lançou a pedra, numa obra que requer muito esforço" e regressou com "duas oportunidades imediatas".
"Por ora, estamos a trabalhar a informação que trouxemos e a proteger vias de negociação para falarmos com os nossos parceiros suecos com toda a segurança", disse o jovem Project Manager ao PME NEWS, convencido de que o futuro justificará o investimento feito nesta missão.
Experiência e inovação
Subordinada ao tema "Internacionalização do sector TICE 2011: áreas da Educação, Qualidade de Vida", esta missão foi co-financiada pelo programa COMPETE, no âmbito do Quadro de Referência Estratégico da União Europeia (QREN), o qual pretende criar novas oportunidades às empresas de TICE em mercados internacionais com algum grau de sofisticação.
Luís Andrade, Project Manager da IPN Incubadora, uma das promotoras da missão, apresentou em Malmö a melhor incubadora de empresas de base científica do mundo - Best Science-based Incubator Award - de 2010, assim eleita pela Technopolicy Network e pelo CSES - Centre for Studies and Evaluation Services.
Constituída em 1995, a IPN apoiou, até hoje, mais de 150 empresas com uma taxa de sobrevivência superior a 80%, que geraram 70 milhões de euros de volume de negócios e criou cerca de 1500 postos de trabalho altamente qualificados.
"Reforçar o entrosamento com os ambientes associativo, de produção e transferência de tecnologia e também de incubação de negócios locais pelo meio do estabelecimento de parcerias informais mais activas" eram objectivos a cumprir. E foram-no, segundo Luís Andrade, "muito satisfatoriamente".
Entre os "brinquinhos" nascidos na IPN Incubadora está a FeedZai. "O nosso foco é mundial, o nosso produto é internacional", salientou Nuno Sebastião, CEO e um dos fundadores da empresa, referindo-se ao "Pulse".
Com aplicação em diversas áreas, da energia à banca, passando pelas telecomunicações, esta solução tem a capacidade de "analisar quantidades gigantescas de informação por segundo", conseguindo, por exemplo, prever as necessidades de uma rede de energia de um país, ou na área das telecomunicações, prever as necessidades de uma operadora móvel.
Criada em 2008, por cinco engenheiros, quatro dos quais formados na "escola" Chipideia, a Silicongate combina exemplarmente "experiência e inovação". Depois de ter passado um ano de 2009 a desenvolver os circuitos de gestão de energia que Pedro Oliveira, principal digital designer, deu a conhecer em Oresund, a empresa atacou o mercado em 2010. Logo no 1.º trimestre, conquistou a Wolfson, um dos maiores fabricantes mundiais de componentes de áudio, com a qual assinou o seu primeiro contrato.
Considerando que o objectivo da Silicongate é a expansão, que alguns dos players mais importantes do sector, como a Ericsson, estão na Escandinávia e que alguns dos potenciais clientes também, esta missão teve, nas palavras de Pedro Oliveira, "uma importância estratégica".
Os resultados
Com a duração de três dias, esta missão empresarial foi o culminar de um longo trabalho desenvolvido entre a Portic e o seu interlocutor Oresund IT, que começou logo após a missão Oresund@Portic, que teve a deslocação dos suecos e dinamarqueses à Casa da Música no Porto para conhecer a realidade tecnológica das empresas portuguesas (cerca de 50 conheceram directamente).
Conforme explicou ao PME NEWS Teresa Pouzada, directora da Portic, a primeira fase do trabalho de organização consistiu na "identificação de empresas portuguesas de elevado potencial, com interesse na internacionalização" e na divulgação e esclarecimento da iniciativa em quatro sessões que tiveram lugar na Inova-Ria (Aveiro) UPTEC (Porto), Avepark (Guimarães) e IPN (Coimbra). A segunda foi encontrar no lado escandinavo "interlocutores perfeitos", que correspondessem às necessidades e expectativas das empresas portuguesas.
A organização desta missão, a terceira da Portic na região de Oresund, implicou qualquer coisa como 12 000 emails, 300 telefonemas num screening de 70 empresas portuguesas e um matching virtual com 50 escandinavas (de um universo de 10 000 de TIC) que se mostraram interessadas, resultando numa selecção filtrada e limitada de empresas portuguesas para potenciar os resultados que tiveram um total de 50 reuniões individuais e reuniões bilaterais de matchmaking, marcadas previamente por combinação de interesses e áreas de negócio feitas pela Portic e a Oresund IT - antes mesmo de atingir as terras nórdicas para esta missão.
Isto só foi possível devido ao elevado compromisso e cumplicidade entre estas duas organizações que já têm os resultados à vista desta colaboração em "muitos namoros e alguns casamentos entre as regiões", sublinha Teresa Pouzada.
Por seu turno, Micael Gustafsson, CEO da Oresund IT, conclui: "Iniciativas como esta são vitais para construir uma região cada vez mais competitiva e fortemente exportadora e as empresas portuguesas têm todas as condições para o fazer, e já começamos a sentir resultados práticos deste investimento mútuo continuo."
Os três dias de trabalho intenso culminaram com um refrescante mergulho nas águas escuras e geladas (3 graus) do Báltico, após uns tórridos 90 graus na estância de sauna da praia de Malmö, cumprindo, assim, esta ancestral e tradicional prática nórdica, ali mesmo ao lado do Turning Torso.
Malmö: uma cidade na economia do conhecimento
De zona industrial obsoleta e degradada junto ao mar Báltico, à saída do século XX, a zona Oeste do porto de Malmö, onde se ergue o escultural Turning Torso da autoria do arquitecto espanhol Santiago Calatrava, transformou-se numa zona próspera de uso misto, com habitações, restaurantes, escritórios, uma marina e um campus universitário. Falando na Oresund IT, Agnetta Moller, da Malmö stad, evidenciou algumas das mais importantes infra-estruturas realizadas nos últimos 10 anos, como a requalificação urbana do porto, a ponte e o novo estádio, evidenciou a aposta nas energias renováveis, os autocarros a gás e o novo Museu de Arte Moderna. Por fim, salientou a importância do sector privado - lá como cá, maioritariamente composto por pequenas e médias empresas, no investimento e na criação de riqueza na região. Malmö, uma cidade com alto desenvolvimento social e ambições económicas, respira talento e juventude. Segundo Agnetta Moller, 47% da população tem menos de 35 anos.
Protagonistas da missão
Ambisig - Software house especializada no desenvolvimento de soluções para a administração central e local, mercados financeiros e sector empresarial privado
Exatronic - Concebe, desenvolve, certifica, fabrica e integra produtos electrónicos e soluções integradas em sistemas electrónicos
FeedZai - Desenvolveu um produto disruptivo na área de Inteligência de Negócio
Glintt - TI vocacionada para a área da saúde e líder no fornecimento de soluções para o sector Ibérico das farmácias
Ipbrick - Plataforma de comunicações que permite a implementação individual, ou em simultâneo, de várias situações como as comunicações unificadas, segurança, e mail e ferramentas groupware
Inova-Ria - Associação que congrega 69 empresas e visa consolidar o cluster de telecomunicações de Aveiro
IPN Incubadora - Eleita Best Science-based Incubator Award - de 2010, pela Technopolicy Network e pelo CSES - Centre for Studies and Evaluation Services
Maisis - Tecnologias usadas no desenvolvimento de sistemas de gestão e controlo de redes
Reditus - Opera no outsourcing de serviços e soluções de engenharia e mobilidade
ROFF Nordic - Empresa do grupo Reditus na Suécia. Opera na área de negócios SAP
Strongstep - Promove as melhores práticas mundiais na engenharia e serviços de software junto dos seus clientes
Silicongate - Desenvolve circuitos de gestão de energia
"MINC é o catalisador e os empreendedores são o motor"
A incubadora MINC abriu as suas portas, em 2003, no meio do ambiente de inovação acelerada da zona ocidental do porto, tendo na vizinhança a Universidade de Malmö.
Micael Gustafsson, managing director da Oresund IT, disse ao PME NEWS que, actualmente estão ali instaladas entre perto de quatro dezenas de pequenas empresas de conhecimento intensivo com elevado potencial de crescimento. A maioria opera na área de tecnologias de informação e comunicação, media e design.
"A taxa de sucesso das empresas que aqui nascem é de 90%", salientou Micael Gustafsson.
O gestor explicou que, além de "todas as condições para o empreendedor lançar a sua empresa", a Oresund IT oferece-lhe também "consultoria, contactos com vista à obtenção de financiamento e formação estratégica". As empresas podem ficar instaladas na MINC durante dois anos. Além de uma plataforma de crescimento de empresas, criadas por pessoas com elevados níveis de qualificações académicas e competências profissionais, MINC funciona igualmente como elo importante na ligação entre empresas incubadas, empreendedores e organizações de pesquisa e transferência de tecnologia.
"MINC é o catalisador e os empreendedores são o motor da vida futura, comercial e industrial da cidade de Malmö, em particular, e da região de Oresund em geral", sublinha Micael Gustafsson, que lidera uma equipa que inclui Philip Stankosvki, Helena Wiedling, Signe Sørensen e Alfred Gunnarsson.
O clima de inovação que se vive em Malmö é o resultado da estreita cooperação entre empresas privadas, agentes públicos e universidades. Micael Gustafsson defende que somente através da interacção destes três actores é possível criar um sistema de inovação sustentável e durável na era da economia do conhecimento.
Portic: promover a internacionalização
Criada em Março de 2010, a Portic, organização sem fins lucrativos, é um "think tank" para a internacionalização das empresas portuguesas de base tecnológica. É composta por uma equipa de especialistas, líderes, empreendedores, governantes nacionais e internacionais (suecos, finlandeses, americanos, franceses e canadianos). O seu objectivo é, segundo refere Pedro Castro Henriques, contribuir para aumentar as exportações portuguesas para mercados de alto potencial, como o Norte da Europa, países emergentes da América Latina e da Ásia. Através de contactos privilegiados com elementos chaves das regiões-
-alvo, a Portic "identifica a procura e ajuda as empresas nacionais a criarem um portfolio de produtos e de serviços adaptados às necessidades destes mercados". Desde a sua constituição, a Portic promoveu já três missões empresariais: duas à região de Oresund e uma aos Açores. "A questão da internacionalização deixou de ser opção para se tornar uma questão de sobrevivência", salienta Simon Stockley, director do MBA do Imperial College de Londres e membro do comité internacional da Portic.
As trocas comerciais com a Suécia e a Dinamarca
O embaixador de Portugal na Dinamarca, João Pedro Silveira Carvalho, e o representante do Centro de Negócios da AICEP do Norte da Europa em Estocolmo, Suécia, Paulo Alexandre Ramos, saudaram, em Malmö, a missão empresarial da Portic. Ambos evidenciaram a importância da internacionalização das empresas portuguesas para o futuro do País. Depois falaram de comércio. O embaixador João Pedro Silveira Carvalho referiu que a Dinamarca é o 14.º maior importador de bens e produtos portugueses e que nos primeiros nove meses de 2010, as exportações portuguesas para este país totalizaram 191 milhões de euros, o que traduz um acréscimo de 4,1% relativamente ao período homólogo de 2009. Mais de 50% deste comércio envolve calçado, têxteis e vinho. Paulo Alexandre Ramos salientou que, historicamente, a Suécia é um importante parceiro de Portugal, tanto a nível das trocas comerciais como do investimento directo estrangeiro, que tem abarcado desde o retalho ao sector automóvel e à biotecnologia. Mais recentemente, o protagonista tem sido a IKEA. Entre Janeiro e Setembro de 2010, as exportações de Portugal para a Suécia totalizaram 325 milhões de euros, assentes, sobretudo, em produtos tradicionais como o calçado, confecção, mobiliário, têxtil lar e vinho.